| Rui Gaudêncio |
 |
| Belmiro defende que os problemas do país "não se resolvem com títulos em instituições europeias ou mundiais" |
Belmiro de Azevedo considera que a hipótese de Vítor Constâncio vir a ser nomeado vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) "é irrelevante" para Portugal e que não se deve "dar importância" à mudança do estatuto do governador do Banco de Portugal. Para o empresário e presidente não executivo da Sonae, os problemas do país "não se resolvem com títulos".
"O problema português resolve-se com fazer investimentos correctos, criar emprego e ser global, o resto não vale nada", sustentou Belmiro de Azevedo, momentos antes da cerimónia da entrega de diplomas a 73 alunos do MBA executivo da Escola de Gestão do Porto, a que presidiu o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos.
"Eu não, ligo nada ao meu próprio emprego, a minha função é criar emprego duradouro, criar riqueza", reforçou, acrescentando que "é irrelevante" Constâncio poder ser vice-presidente do BCE.
"Conheço o doutor Vítor Constâncio há muitos anos e tenho muito apreço por ele", salientou, referindo, porém, que isso não significa que se deve "dar importância" à mudança do seu estatuto e que "os problemas de Portugal não se resolvem com títulos em instituições europeias ou mundiais".
"O que o país precisa é que se crie riqueza, que sejamos competitivos, que gastemos o dinheiro bem gasto, empregos razoáveis, baratos, se não, qualquer dia temos complicações de natureza social e o país não se governa sem coesão social", concluiu.
O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, admitiu ontem que a hipótese de Vítor Constâncio vir a ser nomeado para a vice-presidência do BCE "já foi discutida a nível internacional e tem receptividade junto dos vários países".
O ministro não quis adiantar mais pormenores sobre o assunto, remetendo para Teixeira dos Santos uma "explicação mais detalhada".