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Pneus chineses discutidos por Obama em Pequim
Um funcionário de uma fábrica de pneus na provincia de Anhui, na China, trabalha no armazem. As exportações de pneus da China para os EUA e as taxas recentemente impostas por Washington são um dos temas a debater durante a visita de Barack Obama à China. Fotografia: REUTERS/Stringer

 
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É o valor, em mil milhões de euros, que atinge o crédito incobrável no segmento dos particulares em Portugal
 

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Operação Face Oculta
Vera Jardim e Pedroso contra mudanças na lei sob pressão de "casos"
05.11.2009 - 07h30
Por Nuno Simas 
PCP quer voltar à criminalização do enriquecimento ilícito, dirigentes socialistas defendem alterações, mas dizem que estas não devem ser feitas neste momento.

Nem Vera Jardim nem Paulo Pedroso aconselham o PS e o Parlamento a legislar sob pressão. Seja de "um caso" ou "da conjuntura". Não o dizem, mas é o caso Face Oculta, envolvendo o ex-ministro Armando Vara, que têm em mente, num momento em que o tema da corrupção volta ao debate político.

Um e outro são socialistas e assinaram uma declaração de voto quando o PS aprovou a lei, em Junho, que alarga a possibilidade de levantamento do sigilo bancário. "Um avanço muito significativo", admitiam, mas que podia ter "ido mais longe, através de um sistema de automatismo na informação dada pelo sistema bancário e financeiro ao fisco", a exemplo do que acontece com o modelo espanhol.

Vera Jardim, hoje vice-presidente da Assembleia da República, e o ex-ministro Paulo Pedroso, que deixou o Parlamento para concorrer à Câmara de Almada, mantêm a sua posição, mas admitem não ser este o melhor momento para tomar decisões.

"Gostaria que o PS avançasse com o passo que falta, é um princípio geral que defendo. Mas não agora. Não se devem fazer reformas ou mudar leis sob a pressão da conjuntura", afirmou Pedroso, em declarações ao PÚBLICO.

O ex-ministro da Justiça de António Guterres tem exactamente a mesma opinião. "Não se pode fazer legislação sob pressão de um caso. Não se podem fazer reformas de acordo com os acontecimentos. É preciso esperar e fazê-lo com alguma calma", afirmou Vera Jardim ao PÚBLICO, esclarecendo que as suas objecções em Junho se referiam ao levantamento do sigilo e não quanto aos diplomas sobre o enriquecimento ilícito.

E esse é, precisamente, o diploma que o PCP já anunciou que voltaria a apresentar quanto à criminalização do enriquecimento ilícito no exercício de funções públicas - rejeitado na anterior legislatura pelo PS, então com maioria absoluta, com a abstenção do PSD e do CDS.

O calendário comunista não é casual e o projecto de lei foi apresentado esta semana, numa altura em que o caso Face Oculta estava nas primeiras páginas dos jornais. Também o Bloco de Esquerda pretende apresentar em breve os seus projectos sobre enriquecimento ilícito.



"Megacentral de negócios"

Paulo Morais, ex-vereador do urbanismo na Câmara do Porto (PSD), tem tomado posições públicas contra a corrupção. Os factos revelados pela investigação do processo Face Oculta são apenas um sintoma. "É evidente que o polvo existe e que domina todo o mundo dos negócios e na política. Este caso veio demonstrar como se foi instalando uma megacentral de negócios, onde exemplos deste género e de permanente tráfico de influências se multiplicam", argumenta, em declarações ao PÚBLICO.

"A promiscuidade absoluta do mundo dos negócios e da política, o facto de encontrarmos gestores públicos cujo único currículo é o percurso partidário, e as situações de financiamentos ilícitos, porque é disso que estamos a falar, minam por completo todo o sistema", refere. Segundo Paulo Morais, quando se fala de financiamento da vida política, não se deve falar só de financiamento aos partidos, mas também de financiamento aos próprios angariadores que, diz o ex-vereador, chegam a cobrar 40 por cento da verba angariada.

Mas Paulo Morais defende que este "não é um problema sem solução". "Não podemos é andar a fingir que se faz alguma coisa, que se criam conselhos para a prevenção da corrupção, que a transparência dos processos está na preocupação de todos os partidos do poder político quando, afinal, nada se faz no concreto. Quando se criam medidas de combate à corrupção que efectivamente não o fazem, está-se a branqueá-la", acusa. Para o ex-vereador "os cancros da corrupção estão identificados. A questão agora passa pela intervenção efectiva, que haja consequências e termine esta sensação de impunidade", afirma.



A ponta do icebergue

Também Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto e empresário, afirma que a solução para este "gigantesco problema" passa pelo fim da retórica e pelo início de medidas concretas que possam combater o tráfico de influências que mina toda a sociedade.

Rui Moreira diz que recebe com frequência queixas na associação de empresários que têm dificuldades em concretizar negócios, se não pactuarem com determinadas situações. E, refere, "a tentação é grande, não é só uma questão de fazer dinheiro, mas também de sobreviver".

O empresário argumenta que, se o Tribunal de Contas tivesse mais meios e mais poderes, "muita coisa poderia mudar". E acrescenta que "esta situação de o Estado ter poderes especiais de nomear administradores e poder influir nas decisões das empresas tem de acabar", defende, "sob pena de continuar a haver na sociedade uma espécie de "saco azul" do poder". "Porque", admite Rui Moreira, "o processo Face Oculta só veio desvendar uma pequena ponta do icebergue".
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"O 'monstro' não se controlou. Pelo contrário, parece totalmente descontrolado"
Helena Garrido, "Jornal de Negócios", 20-11-2009
 

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