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Pneus chineses discutidos por Obama em Pequim
Um funcionário de uma fábrica de pneus na provincia de Anhui, na China, trabalha no armazem. As exportações de pneus da China para os EUA e as taxas recentemente impostas por Washington são um dos temas a debater durante a visita de Barack Obama à China. Fotografia: REUTERS/Stringer

 
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É o valor, em mil milhões de euros, que atinge o crédito incobrável no segmento dos particulares em Portugal
 

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Crescimento lento e forte endividamento depois da crise
Passada a crise, regressam os défices-recorde e a divergência
04.11.2009 - 07h33
Por Sérgio Aníbal 
Nem a evolução do PIB acima do previsto, nem a subida de desemprego mais moderada do que o esperado fizeram a Comissão Europeia acreditar nas contas do Governo português para as finanças públicas, apontando agora para uma subida do défice e da dívida pública que coloca estes indicadores a níveis históricos.

Mesmo perante uma evolução muito negativa das receitas fiscais, o Governo tem insistido na sua previsão de défice público de 5,9 por cento do PIB para 2009. Mas a verdade é que, ontem, nas suas previsões de Outono para a economia europeia, a Comissão mostrou pouca confiança nos cálculos e colocou a estimativa para o défice público deste ano em oito por cento, ou seja mais 2,1 por cento do PIB (ou cerca de 3500 milhões de euros) do que aquilo que o Governo prevê.

Esta é, entre todos os países da União Europeia, a diferença mais acentuada entre o que um Governo prevê para o défice (nos últimos relatórios entregues ao Eurostat) e aquilo que a Comissão Europeia antecipa.

Reagindo à previsões de Bruxelas, Teixeira dos Santos reconheceu ontem pela primeira vez que poderá ter de vir a corrigir o seu cálculo para o défice, mas salientou que ainda quer esperar pelos dados da execução orçamental de Outubro. Ainda assim, o ministro das Finanças foi já justificando uma provável escalada do desequlíbrio orçamental, afirmando que estamos perante "uma crise histórica e portanto não é de admirar que o valor do défice registado nos variados países europeus, incluindo em Portugal, seja também um valor histórico".

O relatório da Comissão traz duas boas notícias para Portugal. A queda da economia este ano vai ser mais pequena do que o esperado - contracção de 2,9 por cento, contra os quatro por cento da média da zona euro - e o regresso de taxas de crescimento positivas no próximo ano (0,3 por cento) vai permitir limitar a subida da taxa de desemprego aos nove por cento (embora a Comissão alerte que tal acontece com a ajuda da diminuição da população activa). O problema é que, a acompanhar estas boas notícias, vem também a notícia negativa que mais se temia: as maiores fragilidades da economia portuguesa estão longe de estar resolvidas e, em alguns casos, acabaram por ficar bastante mais agravadas.

O cenário traçado é tudo menos optimista. O crescimento de 0,3 por cento em 2010 e de um por cento em 2011 é dos mais lentos da zona euro e coloca a economia portuguesa de novo a divergir da média europeia. O défice externo da economia portuguesa mantém-se acima dos 10 por cento, com os sinais de perda de competitividade externa a agravar-se. E nas finanças públicas, depois de, em 2007 e 2008, os défices terem registado valores mínimos, os recordes negativos voltam a ser batidos.

O défice de oito por cento previsto para 2009 e 2010 será, caso se confirme, o maior desde 1985 e a Comissão prevê, num cenário de políticas inalteradas, que suba ainda para 8,7 por cento em 2011. A dívida pública acelera para valores nunca vistos durante a democracia, passando de 66,3 para 77,4 por cento este ano e atingindo os 91,1 por cento em 2011. O rácio da dívida pública portuguesa volta a estar acima da média da zona euro, algo que não acontecia desde 1992.

Além disso, apesar do maior problema estar na descida das receitas fiscais, a verdade é que a despesa do Estado ultrapassa pela primeira vez a marca dos 50 por cento do PIB.

Assim, a margem de manobra orçamental deste Governo e dos próximos reduz-se. Os portugueses - e, em particular os funcionários públicos - podem provavelmente contar com mais anos de contenção, que se reflectem em aumentos salariais mais moderados, investimento público limitado e hipóteses de redução de impostos muito reduzidas.
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"O 'monstro' não se controlou. Pelo contrário, parece totalmente descontrolado"
Helena Garrido, "Jornal de Negócios", 20-11-2009
 

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