| Luís Filipe Catarino |
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| Cavaco Silva |
O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, escusou-se hoje a fazer qualquer comentário sobre o processo “Face Oculta” por respeito pelo “princípio de separação de poderes”.
“Entendo que no respeito pelo princípio de separação de poderes não devo fazer qualquer comentário sobre processos em curso que estão a ser investigados por entidades judiciárias”, afirmou Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas no final de uma visita à Base Aérea do Montijo.
Também em declarações aos jornalistas no final da visita, o ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, escusou-se igualmente a comentar o caso, considerando que não lhe compete pronunciar sobre “questões de Justiça”. Santos Silva confirmou, contudo, já ter sido informado que “a EMPORDEF já iniciou processos de auditoria interna para verificar se em alguma das empresas suas participadas foi cometida alguma ilegalidade”.
O ministro da Defesa ressalvou ainda que julga “que não se possa falar de um envolvimento da empresa”. Mas, acrescentou, “evidentemente que os processos judiciais que estão em curso devem seguir o seu caminho e as investigações devem apurar se existiu alguma irregularidade ou a prática de algum crime e os responsáveis devem ser chamados à Justiça”.
A EMPORDEF é a holding das indústrias de defesa portuguesas cuja actividade consiste na gestão de participações sociais detidas pelo Estado em sociedades ligadas directa ou indirectamente às actividades de defesa, como forma indirecta de exercício de actividades económicas.
Segundo noticia hoje o “Jornal de Negócios”, funcionários da Estradas de Portugal e da EMPORDEF terão sido subornados para favorecer o empresário Manuel Godinho, até agora o único detido do processo “Face Oculta”, na atribuição de contratos.