| Thierry Roge_Reuters (arquivo) |
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| Joaquin Almunia apresentou hoje as novas previsões económicas da Comissão Europeia |
A economia portuguesa vai voltar a crescer em 2010, segundo as previsões da Comissão Europeia apresentadas hoje em Bruxelas. Ainda assim, o desemprego manter-se-á sem qualquer redução e o défice orçamental vai disparar.
As previsões de Bruxelas apontam para que o Produto Interno Bruto (PIB) nacional cresça 0,3 por cento no próximo ano, depois de recuar 2,9 por cento em 2009.
A melhoria na economia nacional não será, no entanto, suficiente para fazer Portugal convergir com a zona euro e com a União Europeia. Isto porque, segundo as mesmas previsões, apesar de este ano a zona euro recuar quatro por cento, no próximo irá crescer 0,7 por cento. Já ao nível da UE a 27, o crescimento será de 0,7 por cento em 2010, depois de um recuo de 4,1 por cento este ano.
As previsões apresentadas hoje por Bruxelas apresentam ainda estimativas para 2011, mas feitas com base num cenário de que não haverá qualquer alteração de política económica por parte dos Governos. Assim, neste pressuposto, a economia nacional irá crescer um por cento.
Os dados da Comissão dão ainda conta de que Portugal não conseguirá, com estes níveis de crescimento, obter qualquer ganho ao nível do desemprego. Assim, este ano, a taxa de desemprego será de 9 por cento, o mesmo valor que se registará em 2010. Só em 2011, e também num cenário de políticas inalteradas, haverá ula ligeiríssima redução da taxa de desemprego, para 8,9 por cento da população activa.
Apesar dos números elevados, a economia portuguesa conseguirá manter-se com níveis de desemprego bastante abaixo da média europeia. Na zona euro, segundo a Comissão, a taxa de desemprego será de 9,5 por cento em 2009, de 10,7 em 2010 e de 10,9 em 2011.
Já ao nível do défice orçamental, as previsões apresentadas esta manhã apontam para que o défice orçamental em Portugal fique bastante acima das previsões do Governo que apontam para um valor de 5,9 por cento do PIB. Bruxelas aponta, por seu lado, para um valor de 8 por cento, quer em 2009, como em 2010. Para 2011, e mais uma vez num cenário de políticas inalteradas, o défice ainda subirá mais, para os 8,7 por cento.
A confirmare-se estas previsões, Portugal ficará bastante acima do défice orçamental na zona euro já que a Comissão aponta para um valor de 6,4 por cento do PIB em 2009, de 6,9 em 2010 e de 6,5 em 2011.
Europa com restrições à procura privadaA Comissão Europeia prevê que o conjunto da Europa saia da recessão no segundo semestre deste ano, mas que para o conjunto de 2009 a recessão seja de quatro por cento para o conjunto da UE.
Os responsáveis europeus prevêem que a recuperação deverá ser gradual, com um crescimento próximo de 0,7 por cento em 2010 e de cerca 1,5 por cento em 2011.
As perspectivas de recuperação de curto prazo seguem-se a “melhorias no ambiente externo e nas condições financeiras, bem como a significativas medidas de política financeira e fiscal”. No entanto, a Comissão reconhece que “vários factores restringem a procura privada e, por isso, a força da recuperação”.
A perspectiva para o mercado de trabalho da UE é de que continue com “condições fracas”, continuando a encolher em 2010, com o emprego a diminuir mais cerca de 1,25 por cento, depois de este ano regredir mais de dois por cento.
O contexto é visto como “difícil” para as finanças públicas, projectando-se que os défices do conjunto dos governos dos 27 tripliquem este ano na UE, para próximo de sete por cento, quando no ano passado o valor agregado estava em torno de 2,25, subindo ainda em 2010, para 7,5 por cento.
A inflação deverá continuar “controlada”, com um valor projectado ligeiramente superior a um por cento em 2010 e em torno de 1,5 por cento em 2011, quer na zona euro quer na UE.
Notícia actualizada às 10h28