| Sara Matos/PÚBLICO (Arquivo) |
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| Apesar das semelhanças, ainda é possível reduzir custos com a factura do telemóvel |
Com planos e preços para um mesmo tipo de utilizador muito semelhantes entre si, os operadores de telemóveis portugueses não deixam grande margem de manobra aos clientes para pouparem da maneira mais fácil e óbvia: mudar de rede. Mesmo assim, há formas de poupar na factura. O simulador de tarifários de telemóveis da Associação de Defesa do Consumidor (Deco), que está disponível até ao final do mês no site www.deco.proteste.pt/tarifastelefone, ajuda a fazer as contas.
Além da opção pelos tarifários pré-pagos, que saem geralmente mais baratos do que os pós-pagos, há um aspecto que pode determinar uns bons euros a mais na carteira no final do mês: de que operador são os números para quem se liga mais frequentemente.
Se fizer 70 por cento das chamadas móveis dentro da TMN, Optimus ou Vodafone, o ideal será ter um tarifário online ou self-service, ou seja, praticamente feito à sua medida. A poupança pode chegar aos 500 euros anuais. Já tarifários de grupo como o Moche (TMN), o TAG (Optimus) e o Extreme e Extravaganza (Vodafone) só compensam se fizer pelo menos 60 por cento das suas comunicações para utilizadores do mesmo tarifário.
"O que faz a diferença e pode determinar a mudança de operador é a rede de contactos da pessoa", explica Sofia Costa, responsável pelo estudo de tarifários de telemóvel da Deco. Há, contudo, um dado que a associação dá como certo: os tarifários pré-pagos são, regra geral, a melhor opção. "O pós-pago só compensa se houver um uso muito intensivo de chamadas, mas, mesmo com grande utilização, o pré-pago é preferível, sobretudo os tarifários online e self-service das operadoras", conclui.
Para a Deco, a análise dos hábitos ao telemóvel pode permitir poupar várias centenas de euros por ano, sobretudo porque a maioria parece não ter acertado bem num tarifário à sua medida. Um estudo realizado em 2005 pela associação mostra que 92 por cento dos 1800 portugueses inquiridos não tinha o tarifário adequado à utilização que faz do telemóvel, desperdiçando, em média, mais de 100 euros por ano.
Diferenças face à EuropaSegundo a Deco, apesar do grande leque de oferta existente, os preços entre operadores para um mesmo perfil de utilizador pouco divergem, ao contrário do que acontece noutros países europeus (ver gráfico). A associação de defesa do consumidor tem vindo a alertar para eventuais práticas de concertação no sector, um tema que está a ser investigado pela Autoridade da Concorrência depois de, em Março, os operadores terem aumentado os preços das chamadas em cerca de 2,5 por cento e quase em simultâneo.
Para Sofia Costa, a escassa diferenças de preços explica que Portugal seja um dos países que menos recorrem à mudança de rede. Dados da Comissão Europeia mostram que havia só 1,5 por cento de números portados em Outubro (35 por cento em Espanha).
O custo do telemóvel em Portugal é mais elevado do que noutros países europeus. Um estudo da Deco de Setembro mostra que os portugueses chegam a pagar o dobro dos holandeses e ingleses nos preços dos tarifários para um mesmo tipo de utilizador. E nem mesmo os tarifários mais baratos descem abaixo dos dez euros por mês em Portugal.