| Carlos Lopes (arquivo) |
 |
| Proença diz que as empresas portuguesas têm ganho competitividade à custa dos salários |
O líder da União Geral dos Trabalhadores (UGT), João Proença, defendeu hoje, em Coimbra, o aumento significativo do salário mínimo e das pensões, para além de mais diálogo político e social e reforço da negociação colectiva.
Intervindo no congresso fundador da UGT Coimbra, João Proença lamentou esta tarde a atitude dos empresários de pretenderem congelar o aumento do Salário Mínimo Nacional, referindo que as “empresas portuguesas têm ganho nos últimos anos competitividade à custa dos salários”.
“É um argumento inaceitável dos empresários dizerem que não deve haver aumento dos salários porque ou há salários ou há emprego”, frisou o dirigente sindical, que pretende ver atingido o valor de 500 euros em 2011, como foi definido pelo Governo.
João Proença considera “falso” que o aumento do ordenado mínimo possa criar desemprego nas empresas e considera que o seu congelamento poderá ter efeitos mais negativos, levando ao aumento do desemprego nas pequenas e médias empresas, que produzem maioritariamente para o mercado interno, por falta de “quem compre”.
Com o desemprego em alta e as previsões a apontarem para o seu aumento até à Primavera, o secretário-geral da UGT afirmou que vai exigir do Governo “políticas de crescimento e de emprego”, maior aposta no reforço da negociação colectiva e combate ao trabalho precário que afecta, sobretudo, jovens e mulheres.
O dirigente sindical defendeu ainda o aumento das pensões e disse que “há disponibilidade da Segurança Social para aumentar as reformas”.
UGT cria uniões regionaisQuanto à constituição da UGT-Coimbra, a primeira união a ser criada ao nível regional, João Proença assinala a vontade de “reforçar a capacidade de intervenção local” ao nível político e social, salientando que “os sindicatos têm funcionado de forma desligada”.
Trata-se de “um salto organizativo” que, segundo o líder nacional, visa uma maior proximidade e uma acção mais concreta no terreno, junto dos trabalhadores, para além de articular a actuação dos vários sindicatos afectos à UGT.
A estrutura regional de Coimbra vai ser liderada por Carlos Silva, do Sindicato dos Bancários do Centro.