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60 mil
portugueses perderam o seu posto de trabalho na construção civil espanhola. Em 2008 eram cerca 90 mil, actualmente caíram para 30 mil. E o Sindicato dos Trabalhadores da Construção do Norte estima que fiquem apenas 15 mil, esperando mais despedimentos devido à grande queda no mercado imobiliário do país vizinho.
 

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Transportes
Obras vão deixar 232 quilómetros de via-férrea sem qualquer comboio
19.10.2009 - 07h42
Por Carlos Cipriano 
Pedro Cunha/PÚBLICO (arquivo)
Obras impedem circulação de comboios
Quatro anos depois da apresentação das orientações estratégicas para o sector ferroviário, a Refer atingiu os mínimos em investimento na rede e mantém linhas sem automotoras.

É uma situação inédita na rede ferroviária nacional. A Refer tem vindo a encerrar linhas para efectuar obras, contrariando uma prática centenária em que os trabalhos se realizavam sem interrupção do tráfego ferroviário.
As linhas do Tâmega, do Corgo e do Tua, e os troços Guarda-Covilhã e Figueira da Foz-Pampilhosa, estão fechados e não se sabe ao certo quando reabrirão. Isto porque, em alguns casos, nem sequer há projecto para avançar com as obras.
A situação contrasta com os grandes eventos do início da primeira legislatura de José Sócrates que anunciavam uma aposta forte no caminho-de-ferro em Portugal, como foi o caso da apresentação das orientações estratégicas para o sector ferroviário. Quatro anos depois, não só a Refer atingiu os mínimos em investimento na rede como, de momento, existem 178 quilómetros de via-férrea sem comboios, número que subirá para 232 quando em Maio se encerrar e renovar o troço Vendas Novas-Évora.
Com excepção da linha do Tua (onde subsistem dúvidas quanto ao seu futuro devido à construção da barragem que a poderá submergir) e do troço Guarda-Covilhã (onde decorrem obras em pontes), as restantes linhas aguardam pela concretização dos projectos de engenharia com a respectiva calendarização do investimento. Para o Corgo e Tâmega há uma vaga referência ao "início de 2011" para a sua reabertura, mas entre Figueira da Foz, Cantanhede e Pampilhosa não se sabe quando ali voltará o comboio a apitar.
Comum a quatro destas linhas foi o seu encerramento abrupto, sem qualquer aviso prévio às populações, fundamentado, mais tarde, por relatórios que alertavam para iminentes situações de risco. Nestes casos, foi criado serviço rodoviário alternativo.
Os autocarros entre a Guarda e a Covilhã custam à gestora de infra-estruturas 10.500 euros mensais desde Março deste ano. A linha já antes estivera encerrada por motivo de obras e voltou a fechar em Março, com reabertura prevista para este mês. Contudo, uma segunda empreitada deverá mantê-la encerrada por mais seis meses.
Para substituir as automotoras na linha Figueira da Foz-Cantanhede, a Refer paga 13.680 euros por mês a uma empresa rodoviária. O contrato termina em Março, mas deverá ser prorrogado, pois esta é a linha mais "esquecida" de todas, não havendo sequer projecto de modernização. Nas linhas de via estreita (Tua, Corgo e Tâmega) é a CP que suporta o transporte de substituição, mas a empresa não quis divulgar esses custos.
Para as populações locais subsistem dúvidas sobre se alguma vez o comboio voltará, apesar das promessas em contrário da secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, reforçadas durante as eleições num périplo pelo Norte.
Certo é que, apesar de a CP ser a empresa incumbente do serviço público naqueles eixos, nada consta no seu site acerca dos horários dos autocarros a seu serviço. Foi assim que, nos anos oitenta, se concretizou o fecho definitivo das linhas de reduzido tráfego em Trás-os-Montes e no Alentejo,
Nelson Oliveira, presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos-de-Ferro, diz que não é por acaso que a maioria das vias encerradas para obras são do interior, com pouca procura e exploração deficitária. E lamenta que "a deficiente potenciação do efeito de rede no serviço ferroviário tenha afastado estas linhas de uma efectiva articulação dentro da oferta global da CP". Mais contundente, o presidente da Associação para o Desenvolvimento do Transporte Ferroviário (Adfer), Arménio Matias, diz que a modernização da rede sempre se fez sem interrupção da circulação. O encerramento, diz, "é mais uma consequência da política errada [da tutela] nos últimos anos, escondida sob um manto de falsa sabedoria e alimentada por uma poderosa máquina de propaganda, que anunciou e tentou implementar as mais absurdas opções ferroviárias".
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"O Plano de Estabilidade e Crescimento e as autoridades europeias fracassaram quando foram complacentes com o seu não-cumprimento. Não agora, mas durante o 'bom tempo' económico."
Vítor Bento, jornal "Público", 8-2-2010
 

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