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G7 em versão informal
Os ministros das Finanças e os governadores dos bancos centrais dos Grupo dos Sete (G7) principais países com economias de mercado insdustrializadas posam para uma fotografia durante a reunião deste fim-de-semana no Canadá. Fotografia: Chris Wattie/Reuters.

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60 mil
portugueses perderam o seu posto de trabalho na construção civil espanhola. Em 2008 eram cerca 90 mil, actualmente caíram para 30 mil. E o Sindicato dos Trabalhadores da Construção do Norte estima que fiquem apenas 15 mil, esperando mais despedimentos devido à grande queda no mercado imobiliário do país vizinho.
 

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Inflação
Maior queda de preços em 50 anos agrava dúvidas sobre recuperação da economia
19.10.2009 - 07h22
Por Sérgio Aníbal 
Pedro Cunha/PÚBLICO (arquivo)
Preços têmvindo a cair na generalidade dos produtos
A incerteza instalou-se: a contínua queda dos preços é passageira ou vai acabar em deflação? As negociações salariais para 2010 vão ter de responder ao dilema

A inflação homóloga em Portugal já está em terreno negativo há sete meses consecutivos e registou em Setembro o valor mais baixo de que há registo nas séries publicadas pelo INE desde o início dos anos 60 do século passado. Em média, os preços dos produtos consumidos pelos portugueses estão agora 1,6 por cento mais baixos do que em igual período de 2008. E, além disso, em comparação com o resto dos países da zona euro, Portugal tem neste momento uma taxa de inflação homóloga harmonizada inferior em 1,5 pontos percentuais, a maior diferença desde que foi criada a moeda única.
Recessões, crises cambiais graves, períodos de inflação descontrolada, e alguns períodos de crescimento forte e prolongado: os portugueses sentiram na pele, durante as últimas décadas, quase todos os fenómenos económicos. O que ainda não tinham visto no último meio século era uma descida de preços como a que acontece agora. Por isso é mais difícil saber o que esperar. Será que a actual tendência é para manter e vamos cair em deflação, com efeitos muito negativos para a economia? Ou será que se trata apenas de um fenómeno passageiro? Ninguém é capaz de dar respostas totalmente definitivas.
Para quem vai ao supermercado à bomba de gasolina, estas notícias só podem ser recebidas com satisfação. Aliás, no meio de uma crise internacional que fez contrair a actividade económica e disparar o desemprego, foi esta descida de preços que permitiu que aqueles que mantiveram o seu emprego conseguissem, mesmo com aumentos salariais muito modestos, passar pela crise quase sem a sentir. Além disso, uma descida de preços mais forte do que dos parceiros comerciais pode, se for repercutida nos salários, constituir uma vantagem competitiva para as empresas exportadoras. No caso português, o actual diferencial de inflação para a zona euro pode levar muitas empresas a virarem-se para o exterior, o que poderia ajudar a limitar o défice externo.
No entanto, descidas de preços não trazem apenas boas notícias. Se o fenómeno se prolonga tempo suficiente para que se instale a expectativa de que os preços, no futuro, vão continuar a cair. Será nesse momento, a que Portugal ainda não chegou, que se poderá dizer que entrou em cena a temida deflação.
Nesse caso, as empresas e as famílias perdem muitos dos estímulos que têm para investir e consumir. Uma das razões está nas taxas de juro. Se a inflação estiver em terreno negativo, as taxas de juro reais podem ser sempre demasiado elevadas. E, assim, antes de pedir financiamento para um investimento ou para a compra de um carro, empresas e famílias pensam se o melhor não será poupar, adiando este tipo de apostas para outras ocasiões. Foi o que aconteceu durante os anos 90 no Japão, um período que acabou por ficar conhecido como a "década perdida".Qual o risco de deflação?
Por isso, para Portugal, por muito bem que saibam as descidas de preços agora, é importante garantir que não se instala a deflação. O problema é que, tal como acontece um pouco por todo o mundo, os economistas não conseguem chegar a acordo sobre se o perigo está na deflação ou se a descida de preços vai terminar rapidamente e o maior risco estará, quando a economia recuperar, num ressurgimento rápido das pressões inflacionistas.
Em Portugal, Vítor Constâncio já reconheceu diversas vezes a existência de um risco de entrada em deflação, mas tem sempre defendido que esse risco é reduzido. Constâncio diz que a actual descida de preços está fortemente relacionada com um efeito passageiro ao nível dos combustíveis e dos alimentos, que desaparecerá a partir de agora. António Nogueira Leite, professor na Faculdade de Economia da Universidade Nova, corrobora. "Ainda é cedo para falar de deflação. A deflação que me preocupa seria a que aconteceria em simultâneo com um crescimento lento", afirma, assinalando o facto de se estar a prever para Portugal uma variação do PIB mais positiva do que a da média da zona euro em 2009 e 2010.

A equação dos salários
No entanto, há quem não esteja tão optimista, assinalando que a taxa de inflação, retirando os preços da energia e alimentação, também já está em terreno negativo. "O risco deflacionista está no cerne da presente crise. A ânsia da retoma tem feito esquecer esse risco, que me parece subsistir. Temo muito que a exposição de Portugal a essa possibilidade seja grande e maior que a de outras economias europeias", afirma José Reis, professor na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
É nesta situação de incerteza que o Estado, as empresas e os particulares vão ter de começar a tomar decisões importantes. A mais importante de todas é a que diz respeito aos salários. Principalmente do lado do Governo, cuja política salarial constitui um dos poucos instrumentos macroeconómicos de que ainda dispõe. Os aumentos que decidir dar aos funcionários servirão para definir se quer prolongar uma política expansionista ou se prefere começar já a retirá-la.
Nogueira Leite diz que "não podemos ter aumentos nominais este ano". José Reis prefere que se adopte uma política de rendimentos "que contrarie tendências de agravamento das desigualdades salariais e que tenda a promover relações laborais estáveis". O novo Governo, com o orçamentoa apresentar à As-sembleia da República, e as empresas, nas negociações salariais anuais, terão desde já, e com muitas dúvidas em relação ao futuro, de decidir qual a opção a tomar.
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"O Plano de Estabilidade e Crescimento e as autoridades europeias fracassaram quando foram complacentes com o seu não-cumprimento. Não agora, mas durante o 'bom tempo' económico."
Vítor Bento, jornal "Público", 8-2-2010
 

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