| KIM KYUNG-HOON/Reuters (arquivo) |
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| Bolsas têm estado a antecipar retoma da economia |
Os indicadores de recuperação da actividade económica intensificam-se na Europa e nos EUA e os mercados financeiros estão a ficar cada vez mais optimistas, mas há economistas e responsáveis de bancos centrais que avisam que ainda existe a ameaça de uma recaída da economia durante os próximos meses. O problema, dizem, é a forma como as medidas de estímulo colocadas em prática pelas autoridades vão ser retiradas.
O alerta mais forte foi dado ontem por Nouriel Roubini, um economista que ficou famoso por ter de forma insistente avisado para a eclosão da actual crise financeira. O professor da Universidade de Nova Iorque defendeu, em artigo publicado no Financial Times, que o globo pode registar uma evolução em forma de "W", ou seja, depois de uma breve recuperação da actividade, pode verificar-se uma recaída que coloque a economia mundial de novo em recessão.
Para Roubini, um cenário deste tipo pode acontecer se os Governos e os bancos centrais começarem a retirar da economia os estímulos orçamentais e monetários que introduziram nos últimos meses. Nesse caso, a procura nas economias voltaria a ressentir-se e poder-se-ia entrar num cenário de estagnação com deflação, avisa o economista.
Aparentemente, no Banco Central Europeu, estão a levar a sério este tipo de ameaça. Presentes na conferência anual de Jackson Hole organizada pela Reserva Federal norte-americana, vários membros da autoridade monetária da zona euro, incluindo Jean-Claude Trichet, evitaram qualquer demonstração de entusiasmo excessivo com os indicadores mais positivos da economia. "Vimos alguns sinais que confirmam que a economia real está a começar a sair do período de queda livre, mas isso não significa que não temos uma estrada muito acidentada pela frente", afirmou o presidente do BCE. Trichet repetiu ainda que uma "estratégia de saída credível" será apresentada apenas "quando necessário" e "assim que o cenário macroeconómico melhorar".
Indústria volta a subirOs avisos em relação aos problemas que ainda podem surgir na economia mundial são feitos num dia em que se tornou público mais um indicador positivo e em que os mercados mostraram estar cada vez mais optimistas em relação a uma retoma.
De acordo com os dados ontem publicados pelo Eurostat, as encomendas à indústria na zona euro voltaram a subir em Junho (ver gráfico), depois de um longo período de resultados negativos, a registar uma evolução positiva significativa. Face a Maio, o valor das encomendas (corrigido da sazonalidade) aumentou 3,1 por cento, o valor mais alto dos últimos 19 meses. Face ao mesmo mês do ano passado, mantém-se uma variação negativa de 25,1 por cento, mas que mesmo assim representa uma melhoria face aos 30,3 por cento que se tinham verificado em Maio. Em Portugal, o mesmo indicador apresentou uma variação nula mensal, mas em termos homólogos o resultado é menos negativo, com uma contracção de 23,3 por cento.
Os principais receios nesta fase centram-se no consumo privado. A principal ameaça está na possibilidade de, com a subida do desemprego e com o acesso ao crédito ainda dificultado, o consumo dos particulares demorar mais tempo a voltar aos níveis que se verificavam antes da crise. E é por isso que, nos EUA, se espera com apreensão a divulgação dos dados das despesas dos consumidores em Julho. Um grupo de 61 analistas prevê que, depois de uma subida de 0,4 por cento em Junho, se deverá registar um acréscimo de 0,2 por cento em Julho, um resultado que, a confirmar-se, dá conta da dificuldade que as famílias estão a sentir em reanimar os seus níveis de consumo.
Nas bolsas, os investidores parecem estar a acreditar que os indicadores positivos são um sinal de uma retoma consistente. As bolsas asiáticas, europeias e americanas registaram um dia de subidas e os preços das matérias- primas, incluindo o petróleo, estão em alta, antecipando um recuperação da procura global. "Os mercados estão a sugerir que a economia já virou a esquina e que vai ser muito melhor do que aquilo que a maioria das pessoas prevê", afirmou ontem Laszlo Birinyi, um gestor de fundos do mercado norte-americano.