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Menos atenção à biomassa e biocombustível e metas dos carros eléctricos contam com híbridos
PS traça metas ambiciosas para as renováveis em 2020
11.08.2009 - 15h51
Por Lurdes Ferreira
Ter 60 por cento da electricidade de fonte renovável, multiplicar por 10 a actual meta de energia solar, abrir a micro-geração às escolas e centros de saúde, retirar de vez do mercado as lâmpadas incandescentes, lançar um programa nacional para as míni-hídricas e ter 80 por cento de rede eléctrica de nova geração são seis metas para 2020 apresentadas hoje pelo Partido Socialista, no âmbito do seu programa eleitoral para a área da energia, que dá também prioridade ao desenvolvimento do carro eléctrico.
Fernando Medina, actual secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional e número dois do PS por Beja, que foi o porta-voz para esta parte do programa, declarou que o grande objectivo é “manter Portugal na liderança europeia da produção eléctricas a partir de fontes renováveis” e entre os cinco primeiros países europeus em 2020, passando a ter o “menor nível de emissões de CO2 per capita entre os Quinze” nesse ano. Face ao “esforço significativo” que diz estar em causa, Fernando Medina reconhece que o nível actual de emissões “está acima” dos compromissos para o primeiro período de Quioto, mas defende que o país tem condições para “melhorar a partir de 2010”.
Com um programa eleitoral de continuidade face ao foi a política energética do actual Governo, as linhas hoje divulgadas estão essencialmente direccionadas para a promoção das energias hídrica, eólica e solar e do carro eléctrico. Os socialistas são menos ambiciosos no que toca ao biocombustível, à biomassa e eficiência energética. Fernando Medina admitiu que a meta de 10 por cento de incorporação de biocombustível nos combustíveis fósseis não vai ser cumprida até final de 2010. Para a biomassa e para a eficiência energética não são definidas novas metas, apenas intenções. No primeiro caso, assegurar que determinados aterros e instalações pecuárias tenham aproveitamento energético. No segundo, “que não é muito apelativo, mas importante”, que os cidadãos melhorem o comportamento energético das suas casas.
Para a duplicação da produção eléctrica de fonte renovável (de 30 para 60 por cento) até 2020, o PS quer um novo plano nacional para o desenvolvimento das barragens míni-hídricas com o objectivo de aumentar em 50 por cento a capacidade actual, sendo hoje de cerca de 500 MW. Na energia eólica, avança com a meta de 8500 MW de capacidade produtiva em 2020, coma a Judá do aproveitamento de áreas marítimas offshore, embora Fernando Medina reconheça as difíceis condições da costa portuguesa. Na energia solar, a expectativa é “multiplicar por 10, em 10 anos” a meta actual de energia solar, passando de 150 para 1500 MW e avançar com uma nova fileira na área da geotermia, de 250 MW, até 2020.
Na microgeração, pretende lançar um programa específico para as escolas e centros de saúde, e “terminar a prazo com a comercialização de lâmpadas incandescentes de baixa eficiência energética”. Esta ultima é, aliás, a medida socialista mais visível para a eficiência energética. Uma meta mais ambiciosa é a definida para as redes inteligentes de distribuição de electricidade (redes de nova geração): em 2020 deve estar acessível a 80 por cento dos consumidores.
Sob o lema “Avançar na Energia”, o PS considera a energia como uma prioridade política, não só pelo combate às alterações climáticas, mas também pela necessidade de mais autonomia energética do país e por “não ser possível resolver o problema do défice externo português sem atacar o problema da energia”. Em 2008, o défice energético nacional pesou 4,5 por cento do PIB, correspondendo ao volume de energia importada.
Com a perspectiva mundial de que o sector das tecnologias verdes vai gerar, nos próximos 20 anos, investimento equivalente a 100 vezes o PIB português, Fernando Medina lembra que actualmente o sector industrial eólico e a programa de barragens serão responsáveis até 2015, pela criação de 22900 postos de trabalho.
Carro eléctrico
O carro eléctrico representa para os socialistas a aposta na “mobilidade verde”. As metas inscritas nesta área retomam os compromissos anunciados por José Sócrates no último ano, apesar da meta de 20 por cento da frota automóvel em circulação em 2020, ou 750 mil carros, ser já não apenas de carros eléctricos mas também híbridos. Para a meta dos 50 por cento de veículos comprados pelo Estado até 2015, passam a contar igualmente os carros híbridos.
Os incentivos ao abate para a aquisição de carros eléctricos (cinco mil euros para os particulares, 50 por cento em sede de IRC para as empresas) e a criação de uma rede piloto para a mobilidade eléctrica em Portugal continuam a fazer parte das prioridades.
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