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Informática
Google vai lançar sistema operativo para a era da Web
08.07.2009 - 09h44
Por Susana Almeida Ribeiro, João Pedro Pereira 
José Carlos Coelho/PÚBLICO
Este anúncio poderá mudar drasticamente o actual mercado dos sistemas operativos, especialmente para a Microsoft, que ainda é a grande protagonista do sector
A Google está a desenvolver um novo sistema operativo para computadores pessoais (PC) - o Google Chrome OS - numa manobra que, a prazo, poderá mudar radicalmente o actual mercado, onde se estima que mais de 90 por cento dos PC ainda estejam equipados com o sistema Microsoft Windows.

O Google Chrome OS poderá estar disponível em meados de 2010 e será inicialmente instalado apenas em netbooks, os pequenos portáteis de baixo custo que entraram no mercado português há cerca de ano.

“Rapidez, simplicidade e segurança são os aspectos-chave do Google Chrome OS”, indicou a Google. “Estamos a desenhar o sistema operativo para ser rápido e leve, para arrancar e fazer a ligação à Net em poucos segundos”, indicaram Sundar Pichai, vice-presidente do departamento de gestão de produto, e Linus Upson, director de engenharia da Google, num post conjunto publicado no blogue oficial da empresa.

O anúncio de um sistema operativo da Google não é surpreendente. Já há muito que se falava na hipótese de a Google lançar um sistema operativo – e a ideia ganhou força depois de ter sido lançado, em Setembro do ano passado, o browser Chrome (um navegador da Web, como o Internet Explorer), cuja tecnologia, em alguns pontos, se aproximava do funcionamento de um sistema operativo. O browser acabou por ser a rampa de lançamento (e por dar o nome) para o novo sistema operativo – que não será um sistema tradicional.

Ambos os responsáveis adiantaram ainda que “os sistemas operativos nos quais os actuais browsers correm foram pensados numa era em que ainda não existia Internet” e que o OS é “a tentativa da Google de repensar aquilo que os sistemas operativos devem ser”. Os executivos referiam-se ao facto de os actuais sistemas estarem desenhados para que o utilizador use aplicações instaladas no seu próprio computador, onde também guarda os ficheiros que cria.

A Google, contudo, tem vindo a tentar mudar este paradigma da computação pessoal, desenvolvendo tecnologia capaz de acelerar a transição para o chamado “cloud computing” (literalmente, “computação nas nuvens”, sendo que a nuvem, neste caso, é conjunto de servidores ligados à Internet).

Neste paradigma, em vez de ter as aplicações e os ficheiros instalados e guardados nos próprios computadores, os utilizadores usam aplicações na Web para todo o tipo de tarefas (do processamento de texto à edição de imagens) e armazenam os ficheiros nos servidores de empresas (como a Google ou a Amazon) – os ficheiros ficam assim acessíveis a partir de qualquer dispositivo ligado à Internet.

Os detalhes do Chrome OS ainda não são conhecidos, mas o sistema – que assenta em tecnologia Linux e cujo código-fonte será divulgado a partir do final de 2009, podendo ser usado por qualquer pessoa – não vai ser, inicialmente, um concorrente directo do Windows, da Microsoft.

Vocacionado para netbooks, o sistema é construído para que sejam utilizadas aplicações que podem correr a partir da Web, um tipo de serviços que a Google tem vindo a aperfeiçoar, oferecendo ferramentas online para, por exemplo, edição de texto e para a criação de apresentações (como no Powerpoint, da Microsoft) ou de folhas de cálculo (como no Excell). Uma das mais conhecidas destas aplicações é o GMail, a popular ferramenta de e-mail.

A Google não tornou claro se vai sequer ser possível para o utilizador instalar outras aplicações para além do browser ou se todas as tarefas terão mesmo de ser realizadas online.

Contactada pelo PÚBLICO, fonte da Google foi lacónica: “O sistema operativo está construído para a Internet, o que significa que as aplicações irão correr como aplicações de Internet. Qualquer aplicação que funcione na Internet também poderá correr no sistema operativo Google Chrome” – tal como, de resto, qualquer aplicação Web pode correr em qualquer sistema operativo moderno e com um browser actualizado.

Uma "bomba" contra a Microsoft
Embora haja um enorme mercado para sistemas operativos onde este Chrome OS nem sequer vai tocar, a notícia não deixa de ser uma ameaça para a Microsoft, que ainda é a grande protagonista do sector, com uma quota de mercado estimada em cerca de 90 por cento.

“Esta quota é enorme”, indicou à BBC Rob Enderle, um conceituado analista do sector e presidente do Grupo Enderle. “Esta é a primeira vez que temos um OS verdadeiramente competitivo no mercado em vários anos. Isto é potencialmente perturbador e esta é a primeira tentativa real que alguém ‘dar cabo’ da Microsoft”. “Um dos grandes objectivos da Google é arrasar com a Microsoft e, sistematicamente, perseguir a sua quota de mercado”, disse o mesmo especialista.

Outro perito do sector, Stephen Shankland, da publicação especializada em tecnologia CNET, indicou igualmente, citado pela BBC, que este passo da Google poderá trazer consequências sérias para a Microsoft: “Isto mostra até que ponto a Google leva a sério a tarefa de fazer da Web uma fundação não apenas para páginas estáticas mas para aplicações activas, tal como os Google Docs e o G-mail (...) Outro aspecto é o facto de abrir uma nova frente de competição com a Microsoft e, potencialmente, uma nova razão para que os reguladores anti-monopólio prestem atenção redobrada aos movimentos da Google”.

No blogue TechCrunch, o analista MG Siegler fez, por seu lado, a sua análise desta manobra: “Vamos ser claros acerca do que isto representa: é a Google a lançar a mãe de todas as bombas sobre a sua rival, a Microsoft”.

A Microsoft, contudo, tem a ser favor o trunfo da familiaridade com o Windows.

Ao entrar no mercado dos netbooks (também ainda não foram divulgados os fabricantes com quem a empresa já está a trabalhar), a Google terá de enfrentar um problema semelhante ao do Linux: depois de terem sido lançados vários modelos de netbooks com versões de Linux pré-instaladas, houve fabricantes que acabaram por optar pelo Windows XP, dado que muitos utilizadores preferiam um sistema com o qual já estavam familiarizados. E, embora muitas pessoas estejam habituadas a usar a Web, executar online praticamente todas as tarefas que tipicamente se fazem num computador (como o Chrome OS propõe) não é ainda prática corrente e muitos preferem o paradigma tradicional.

O Chrome não é a primeira incursão da Google no mundo dos sistemas operativos. Ainda este ano chegará ao mercado um netbook da Acer equipado com uma versão do Android, o sistema operativo para telemóveis criado por um consórcio de empresas de tecnologia encabeçado pela gigante da Internet – o computador, contudo, também terá o Windows pré-instalado.

Notícia actualizada às 20h20
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"O Plano de Estabilidade e Crescimento e as autoridades europeias fracassaram quando foram complacentes com o seu não-cumprimento. Não agora, mas durante o 'bom tempo' económico."
Vítor Bento, jornal "Público", 8-2-2010
 

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