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Pneus chineses discutidos por Obama em Pequim
Um funcionário de uma fábrica de pneus na provincia de Anhui, na China, trabalha no armazem. As exportações de pneus da China para os EUA e as taxas recentemente impostas por Washington são um dos temas a debater durante a visita de Barack Obama à China. Fotografia: REUTERS/Stringer

 
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É o valor, em mil milhões de euros, que atinge o crédito incobrável no segmento dos particulares em Portugal
 

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Relatório da OCDE
Portugal regressa à cauda da zona euro depois da crise
25.06.2009 - 07h29
Por Sérgio Aníbal 
Daniel Rocha/PÚBLICO (arquivo)
Previsões de Teixeira dos Santos já foram ultrapassadas
A seguir à crise internacional, Portugal poderá estar destinado a mais um período longo de divergência com o resto da Europa.

De acordo com as previsões ontem apresentadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, depois de este ano se contrair 4,5 por cento (melhor que os 4,8 por cento da zona euro), Portugal vai voltar a divergir dos seus parceiros logo em 2010 e registará, nos sete anos seguintes, um desempenho médio bastante pior que o resto da zona euro.

Ou seja, se as previsões da OCDE se vierem a confirmar, depois de fazer face aos efeitos da crise internacional, a economia portuguesa deverá, nos anos seguintes, voltar a revelar debilidades estruturais profundas que a colocarão a crescer, por bastante mais tempo, a um ritmo inferior ao do resto do continente.

Logo em 2010, diz a entidade sedeada em Paris, Portugal irá mostrar uma retoma mais modesta que os seus parceiros. A variação do PIB ainda será negativa, na ordem dos 0,5 por cento. Entre os países da zona euro, apenas as economias a braços com um rebentamento de uma bolha especulativa imobiliária - a Espanha e a Irlanda - terão um pior resultado.

E depois, para o período de 2011 a 2017, a OCDE prevê para Portugal uma taxa de crescimento médio anual de 1,5 por cento, o valor mais baixo entre 30 países que compõem a OCDE e claramente atrás dos 2,3 por cento projectados para a zona euro.

Nigel Pain, o economista da OCDE responsável pela análise de Portugal, explica, em declarações ao PÚBLICO, que esta projecção de médio prazo tão negativa para a economia nacional se deve às debilidades que ainda subsistem no país. "Há necessidade de reformas estruturais para alterar a situação", afirma, salientando questões como a da qualificação da população, o nível de inovação e investigação, os custos administrativos e a concorrência nas indústrias de rede, como as telecomunicações e a electricidade.

No relatório ontem publicado, é ainda defendido que "é necessária a concretização de uma consolidação orçamental e a realização de reformas estruturais no médio prazo para aumentar as perspectivas de crescimento, reduzir o desemprego de longo prazo e ajudar as finanças públicas numa situação mais sustentável".



Crescimento potencial fraco

O problema português está também evidente nas novas projecções da OCDE para a variação do PIB potencial - o nível de produção que uma economia pode atingir se utilizar a sua capacidade em pleno, sem que haja uma subida da inflação.

Para Portugal, é calculado um valor médio para a variação do PIB potencial de apenas 0,2 por cento no perío-do de 2009 e 2010. Para o intervalo de 2011 a 2017, a subida é apenas para 0,7 por cento. Este é também o resultado mais modesto entre os 24 países analisados, ficando apenas próximo dos 0,8 por cento do Japão e dos 0,9 da Itália, duas outras economias com dificuldades em encontrarem uma dinâmica de crescimento positiva.

O resultado português está relacionado com um crescimento potencial da produtividade muito baixo e uma evolução do emprego também muito negativa.

Com taxas de crescimento tão baixas durante um período tão longo de tempo, Portugal terá também de se habituar a taxas de desemprego elevadas. A OCDE antevê que para 2010, a seguir ao auge da crise, a taxa de desemprego ultrapasse os 11 por cento e que, depois, a recuperação do mercado de trabalho seja lenta, apontando para uma taxa de oito por cento em 2017. O valor é mais baixo que o da média europeia, mas ainda bastante mais elevado do que o que tem sido norma em Portugal nas últimas décadas.

Hoje, na reacção às previsões da OCDE, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, centrou-se na situa-ção actual, salientando o facto de a economia portuguesa estar a sofrer uma contracção menos severa do que a média dos outros países da moeda única. "No quadro negativo do crescimento e do agravamento do desemprego, Portugal terá, apesar de tudo, um desempenho um pouco mais favorável que o desempenho médio da zona euro, quer em termos de quebra de crescimento, que não é tão acentuada como na média da zona euro, quer em termos do desemprego, que também estará abaixo da média que é prevista para a zona euro".
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"O 'monstro' não se controlou. Pelo contrário, parece totalmente descontrolado"
Helena Garrido, "Jornal de Negócios", 20-11-2009
 

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