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Defende Mira Amaral
António de Sousa "não é prestigiado nem consensual" para liderar a APB
24.06.2009 - 07h30
Por Cristina Ferreira
O ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos e actual líder do banco BIC, Mira Amaral, contestou ontem, em declarações ao PÚBLICO, a indicação de António de Sousa para liderar a Associação Portuguesa de Bancos (APB). "Não é prestigiado nem consensual para o cargo", afirmou.
Mira Amaral defende que na passagem pelo sector bancário (liderou a Caixa Geral de Depósitos), António de Sousa não revelou "uma performance aceitável" e como governador do Banco de Portugal "esteve calado no período mais agudo do despesismo do Governo Guterres, em que deveria ter usado a independência do banco para que o governador fosse uma voz forte em termos de magistratura de influências". Ao ter "mantido um silêncio ensurdecedor", salienta o ex-ministro da Indústria de Cavaco Silva, "fez com que estejamos "todos a pagar a factura". "
Sousa foi indicado pelo BES e pelo BCP para substituir João Salgueiro e recebeu luz verde da CGD, do Santander e do BPI.
António de Sousa e Mira Amaral, partilharam a gestão da CGD, mas acabaram por se incompatibilizar, o que levou à saída do ex-ministro da Indústria. "Quando fui convidado pela dr.ª Ferreira Leite [na altura ministra das Finanças], ela pediu-me expressamente para estabilizar a administração da CGD, pois o professor Sousa não dava conta do recado."
Enquanto CEO da CGD, António de Sousa manteve um braço-de-ferro com dois administradores do banco, Almerindo Marques, actual presidente das Estradas de Portugal, e Tomás Correia, presidente do Montepio Geral, que acabariam por deixar o banco. Ambos chegaram mesmo a denunciar actos de gestão de António de Sousa, nomeadamente um financiamento de 75 milhões de euros concedido a Armando Martins, do grupo Fibeira.
"Quando me falaram pela primeira vez, disseram-me que quem ia para a APB era Pedro Rebelo de Sousa, que considerei uma boa solução", conta Mira Amaral. "Mais tarde soube que alguns banqueiros o contestaram, evocando um conflito de interesses, dado que ele estava à frente de um gabinete de advocacia". "Fiquei surpreendido quando soube que o nome era afinal o do professor Sousa, que representa em Portugal o banco norte-americano JP Morgan e está ligado a um fundo de private equity alavancado em bancos portugueses." "Não percebo por que é que com Rebelo de Sousa houve conflito de interesses e com o professor Sousa não há."
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