Reacções ao "chumbo" do pré-acordo na Autoeuropa
18.06.2009 - 13h10
Por Lusa, PÚBLICO
José Sócrates, primeiro-ministro
O primeiro-ministro, José Sócrates, incentivou a administração e os trabalhadores da Autoeuropa a continuarem as negociações de forma a chegarem a um acordo. "Eu tenho a certeza que os administradores da Autoeuropa e os trabalhadores acabarão por chegar a um acordo", disse José Sócrates, acrescentando ser "muito importante que esse acordo exista". O primeiro-ministro falava em Bruxelas, onde participa numa cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia.
Manuela Ferreira Leite, líder do PSD
"Estou preocupada com a Autoeuropa e com a situação que daí pode decorrer, mas espero, em todo o caso, que o consenso e o bom senso imperem naquelas negociações que estão em curso", declarou a presidente dos sociais-democratas, em Bruxelas, onde participa hoje numa reunião do Partido Popular Europeu (PPE).
Os trabalhadores da Autoeuropa rejeitaram quarta-feira um pré-acordo laboral que previa uma redução do pagamento do trabalho extraordinário, em seis sábados por ano, de modo a aumentar a flexibilidade da empresa para enfrentar a crise do sector automóvel.
Manuel Pinho, ministro da Economia
O ministro da Economia, Manuel Pinho, mostrou-se hoje "muito preocupado" com a rejeição do pré-acordo laboral pelos trabalhadores da Autoeuropa, mas sublinhou que o Governo "não pode fazer nada", porque os trabalhadores "são totalmente livres". "Estou muito preocupado e do fundo do coração espero bem que os trabalhadores reconsiderem as consequências que uma decisão destas pode ter", disse Manuel Pinho, à margem da inauguração do Centro de Estudos e Desenvolvimento Tecnológico da Plataforma Camões, em Espinho. O ministro da Economia e da Inovação afirmou "ter muita pena" que esta decisão tenha sido tomada, mas frisou ter sido uma "votação democrática" e que todos têm de "estar à altura das suas responsabilidades".
Carvalho da Silva, líder da CGTP
O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, manifestou-se hoje preocupado com os trabalhadores da Autoeuropa, mas considerou que "a sua posição não é uma posição do acaso", acreditando que estes saberão encontrar formas de lidar com a situação. "Os trabalhadores da Autoreuropa são, seguramente, no seu conjunto, a entidade que melhor conhece a realidade da Autoeuropa e que melhor capta os sinais quanto ao futuro da empresa e, portanto, a sua posição não é uma posição do acaso", disse à Lusa Carvalho da Silva, à margem da tomada de posse da Comissão de Igualdade entre Mulheres e Homens, em Lisboa. Carvalho da Silva chamou a atenção para o facto de o volume geral dos salários na Autoeuropa pesar nos custos de produção "apenas cinco por cento". "Portanto, não se pense que são as horas extraordinárias de meia dúzia de sábados num ano que têm influência nos custos de produção da Autoeuropa. Insistir nesta trapaça é um crime autêntico porque trata-se de uma margem mínima dos custos de produção", acentuou o dirigente da CGTP.
Vieira da Silva, ministro do Trabalho
O ministro do Trabalho mostrou-se hoje confiante de que as divergências entre a administração da Autoeuropa e os trabalhadores sejam ultrapassadas. "Tenho confiança que vai ser possível ultrapassar as divergências e chegar a um acordo" na Autoeuropa, uma empresa cujas relações laborais se têm baseado "num diálogo entre os seus actores", afirmou Vieira da Silva.
Quando questionado acerca de uma possível intervenção do Governo na resolução do conflito, o ministro disse que estas situações devem ser resolvidas na empresa, mas sublinhou que "uma situação destas deixa-nos sempre preocupados".
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