| Nuno Ferreira Santos/PÚBLICO (arquivo) |
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| Dias Loureiro foi ontem desmentido por Oliveira e Costa |
Manuel Dias Loureiro, ex-ministro da Administração Interna de Cavaco Silva e membro do Conselho de Estado, mente quando diz que foi ao Banco de Portugal (BdP) para se queixar da gestão de Oliveira Costa. A afirmação partiu do ex-presidente do grupo SLN/BPN, José Oliveira Costa que adiantou que quem fala verdade é o ex-vice-governador do BdP, António Marta.
"A verdade está com António Marta", assegurou ontem o antigo presidente do BPN aos deputados da comissão de inquérito. Quando foi ouvido pelos deputados, Marta explicou-lhes que na reunião com Dias Loureiro este foi queixar-se de o Banco de Portugal estar "sempre em cima" do BPN e não manifestar preocupação com a gestão do banco.
Numa audição marcada por vários comentários irónicos e bem-humorados do antigo banqueiro, que se encontra em prisão preventiva, Oliveira e Costa explicou que soube da visita de Dias Loureiro ao Banco de Portugal com antecedência, mas garantiu ter desaconselhado esta iniciativa. Acusando o conselheiro de Estado de ter baseado a sua versão dos factos (sobre a ida ao Banco de Portugal) numa "atitude de descarada deslealdade", Oliveira e Costa disse ainda que Dias Loureiro sofre de "uma problemática do ego" e acusou-o de várias atitudes de sobranceria na sua passagem pelo grupo SLN/BPN.
O antigo banqueiro contou que Dias Loureiro, aquando da sua entrada no grupo, como administrador executivo da SLN, terá dito a "uma conhecida figura pública que dentro de seis meses seria presidente do grupo". Porém, quando confrontado com o facto de esse desfecho não ter ocorrido, Dias Loureiro terá respondido que "Oliveira e Costa era muito centralizador", contou o antigo banqueiro aos deputados, acrescentando que a intenção de Dias Loureiro era vender o grupo a um banco espanhol, a Caixa Galicia.
Oliveira e Costa assegurou, ainda, que se não fosse a Biometrics, o famoso negócio ruinoso de Porto Rico, não haveria investigação à SLN/BPN. Em causa está a operação promovida por Dias Loureiro e que contou, do lado vendedor, com o libanês Al Assir. "Se não aparecesse o raio do negócio da Biometrics, hoje não estaríamos aqui", concluiu Oliveira Costa.
Apesar de, na véspera, ter tido um pico de tensão que levou a que a sua condição física fosse reavaliada e pusesse em causa a sua ida ontem à comissão de inquérito, o ex-banqueiro mostrou-se particularmente descontraído, principalmente no período de perguntas e respostas dos deputados. Oliveira e Costa fez-se acompanhar de dois advogados que se sentaram a seu lado, um deles Leonel Gaspar, e que o aconselharam a não aprofundar determinados temas, nomeadamente sobre o Banco Insular, pagamentos não documentados a colaboradores e o negócio de Porto Rico. Matérias que já referiu ao Ministério Público.
A sessão, marcada para as 16h, que começou com 40 minutos de atraso, ainda decorria já passava das 22h. Oliveira e Costa disparou acusações. E referiu que foi "lorpa" por ter confiado nas pessoas.
"Veja lá como me trata"O antigo presidente do banco nacionalizado disse que percebeu que Dias Loureiro não tinha qualquer interesse em abandonar a SLN quando lhe comunicou que não tinha intenção de lhe renovar o seu mandato. Nessa altura, adiantou Oliveira Costa, Dias Loureiro respondeu-lhe: "Veja lá como é que me trata. Porque quando me hostilizam eu não sou para brincadeiras."
Oliveira Costa afirma que lhe terá dito: "Não percebo o seu tom", e aconselhado a cumprir o resto dos dias fora da sede. Ao que Loureiro terá respondido: "Óptimo, porque na sede não aceitaria ficar", relatou Oliveira e Costa.
O ex-presidente do BPN afirmou ainda que "Dias Loureiro começou no BPN como acabou, a criar problemas, mas negando sempre estar envolvido na sua génese", concluiu.
"Eu recusei um prémio de um milhão de euros por entender que o grupo não estava em condições de mo entregar", frisou, confrontado com as declarações de Hector Hoyos, um dos sócios da empresa de Porto Rico, sobre o pagamento de comissões. E rejeitou quaisquer alegados pedidos de suborno relatados pelo empresário.