| Nuno Ferreira Santos (arquivo) |
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| A associação diz que se Portugal não conseguir aumentar as expotações é a própria continuação de país na moeda única que pode estar em causa |
As empresas exportadoras continuam a não ter acesso aos seguros de crédito que sustentem as vendas ao estrangeiro e a única solução rápida para desbloquear a situação passa pela renacionalização de uma seguradora de crédito, defende a Associação Empresarial de Portugal.
A proposta da AEP visa dar resposta a uma situação empresarial que diz ser "dramática". A associação diz que se Portugal não conseguir aumentar as expotações é a própria continuação de país na moeda única que pode estar em causa.
As sucessivas medidas do Governo para desbloquear os seguros de crédito fracassaram totalmente, e muitas empresas estão a adiar as exportações e outras a assumir o risco total, garante José António Barros, presidente da AEP. “O Governo tem de ir mais longe”, diz o dirigente associativo, considerando que a solução mais rápida é a da renacionalização de uma grande companhia a operar no mercado, processo que, defende, estará concluido entre 15 e 30 dias, “se houver vontade política."
José António Barros explicou que montar uma empresa de raiz é impensável, porque o instrumento mais importante é uma boa base de dados, que permita dar informação segura sobre o risco dos compradores. Assim, a solução passa por tomar uma das cinco ou seis empresas de garantia de crédito a operar em Portugal.
O líder da AEP não quis referir nomes, mas o da COSEC é incontornável, por ter capitais nacionais. Esta empresa, adquirida pelo BPI no âmbito de um processo de privatização, faz seguros para países da OCDE, destino da maioria das exportações nacionais, e para fora da OCDE.
A proposta da renacionalização tem vindo a ser debatida no seio da AEP e baseia-se no caso francês, onde uma empresa pública está a prestar os seguros de crédito às empresas.
A última proposta do Governo era a de o Estado garantir 60 por cento da cobertura de risco das vendas e os empresários assumirem os restantes 40 por cento. Com esta solução extrema, e tomada perante a redução a zero do seguro de crédito de muitos empresários, as seguradoras só tinham de emitir ou avaliar o risco do cliente comprador, com base nas bases de dados de que dispõem. É essa tarefa, a de avaliação do risco, que as seguradoras não estão a fazer, por razões que não são totalmente claras.
O líder da AEP relacionou, ainda, o aumento das exportações com a necessidade de aumentar a competitividade, muito afectada pelo aumento dos salários reais. “A moderação salarial é uma exigência absoluta”, disse, considerando “um péssimo exemplo o do Governo, de aumentar a função pública quando se sabia que a inflação era quase zero.
Notícia actualizada às 13h50