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Pneus chineses discutidos por Obama em Pequim
Um funcionário de uma fábrica de pneus na provincia de Anhui, na China, trabalha no armazem. As exportações de pneus da China para os EUA e as taxas recentemente impostas por Washington são um dos temas a debater durante a visita de Barack Obama à China. Fotografia: REUTERS/Stringer

 
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É o valor, em mil milhões de euros, que atinge o crédito incobrável no segmento dos particulares em Portugal
 

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Campos e Cunha prevê "aperto orçamental nunca visto"
Já se antecipam políticas mais fortes de contenção para depois da crise
06.05.2009 - 07h28
Por Sérgio Aníbal 
Carlos Lopes (arquivo)
Campos e Cunha prevê aperto orçamental nunca visto na democracia portuguesa
A escalada da dívida pública portuguesa prevista para este ano e o próximo poderá levar o país, nos anos seguintes, ao regresso em força às políticas de contenção orçamental, com novos cortes na despesa pública, venda de activos e aumento da carga fiscal a serem as soluções mais prováveis.

De acordo com as previsões apresentadas na segunda-feira pela Comissão Europeia, o rácio da dívida pública portuguesa poderá passar dos 66,4 por cento do PIB registados em 2008 para 75,4 por cento este ano e para 81,5 por cento em 2010. Este poderá ser o período de dois anos em que este indicador mais se agravou em Portugal desde o 25 de Abril de 1974.

As causas para esta subida em flecha da dívida pública portuguesa em 2009 e 2010 são conhecidas e repetem-se na generalidade dos países da União Europeia. As receitas fiscais estão em queda devido à crise económica e os governos, numa tentativa de sustentar a actividade económica, decidiram acelerar o ritmo de crescimento da despesa do Estado. Além disso, ao mesmo tempo, a economia contrai-se, o que contribui para que o peso da dívida pública no PIB aumente ainda mais.

Perante isto - e sabendo que enquanto a crise durar será difícil a qualquer governo alterar a situação - o que é que irá acontecer a seguir? Poderemos, em Portugal, quando se iniciar a recuperação da economia, mas se estiver perante uma dívida superior a 80 por cento, assistir à recuperação do discurso da tanga e das políticas de contenção orçamental?

Pior que o passado recente

Luís Campos e Cunha, ex-ministro das Finanças, não faz as coisas por menos e diz que "estas previsões, agravadas pelas responsabilidades assumidas com grandes projectos públicos, vão implicar um aperto orçamental, para 2011 e anos seguintes, nunca visto na história da democracia portuguesa".

Para o professor da Universidade Nova, "os défices orçamentais e os níveis de endividamento previstos levantam problemas para os anos a seguir". Campos e Cunha exclui a subida de impostos como solução definitiva e aposta mais na redução da despesa. "Como aumentar impostos, em montantes significativos, está fora de causa, esta situação prospectiva vai implicar uma redução na despesa pública mais brutal do que a necessária num passado recente."

Paulo Trigo Pereira, professor no ISEG, também assinala a gravidade da situação. "A crise económica, associada à crise financeira, está a pôr uma pressão insustentável nas finanças públicas. Qualquer opção financeira mais leviana tem um custo social muito elevado", avisa. Este economista teme que se venha a "recorrer ao remédio do costume, a venda de activos do Estado", algo que considera não ser viável a prazo, já que "aquilo que há a privatizar e alienar é cada vez menos". Por isso defende "um programa de reestruturação da despesa e receita pública do Estado (em sentido lato)" e diz que é preciso "reavaliar o impacto de médio prazo das parcerias público-

-privado" e "reequacionar e recalendarizar as prioridades políticas quanto ao investimento público".

Outra das questões que se têm colocado é a de saber se o Estado português não virá a ter dificuldades em financiar-se. Neste capítulo, Alberto Soares, o presidente do IGGP - a entidade encarregue de gerir a dívida pública portuguesa - mostra-se optimista. "Não antevejo maiores dificuldades na colocação da dívida pública", afirma, assinalando que, mesmo perante o cenário traçado por Bruxelas, "o crescimento das necessidades de financiamento de Portugal, em termos relativos e ainda no contexto da zona euro, seria, ainda assim, inferior ao que tendencialmente se verifica relativamente a outros soberanos".
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"O 'monstro' não se controlou. Pelo contrário, parece totalmente descontrolado"
Helena Garrido, "Jornal de Negócios", 20-11-2009
 

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