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| A primeira fase do parque de ondas da Aguçadoura arrancou com uma capacidade inicial de 2,25 megawatts |
A principal causa do atraso no desenvolvimento do Parque de Ondas de Aguçadoura são as "dificuldades financeiras" da Babcock & Brown, detentora do projecto, e não as "questões técnicas", considerou hoje o presidente da Associação de Energias Renováveis (APREN).
As três máquinas Pelamis, do parque de ondas da Aguçadoura, Póvoa do Varzim, considerado pelo Governo "uma bandeira" da liderança portuguesa nas energias renováveis, foram retiradas do mar por problemas técnicos e estão no Porto de Leixões há quatro meses, disse ontem à agência Lusa Rui Barros da Companhia de Energia Oceânica (empresa do grupo Babcock & Brown).
Perante esta situação, o responsável pelo parque de ondas afirmou que Portugal "perdeu a corrida" pela liderança mundial na área da energia das ondas, afirmando também que o projecto de criação de um 'cluster' português a este nível está "seriamente comprometido".
Confrontado com esta situação, o presidente da Associação de Energias Renováveis (APREN), António Sá da Costa, que em 2004 trouxe o projecto para Portugal quando ainda era administrador da Enersis, considerou que o "factor principal do comprometimento [do projecto] é a situação actual da empresa, que há cerca de um ano tem acusado graves dificuldades financeiras". "Não sei se estará em condições para liderar [o projecto]", rematou.
António Sá da Costa explicou que esta é uma "tecnologia muito pioneira", onde se "estão a dar os primeiros passos", sublinhado que o Parque de Ondas de Aguçadoura "é o único e primeiro parque que foi construído numa fase pré-comercial".
Questionado sobre se a criação de um 'cluster' português na área da energia das ondas estaria comprometido, o presidente da APREN disse que Portugal "não é o único país no mundo e não pode ter a veleidade de ter a exclusividade do mar".
"Existem quatros dispositivos destes no mundo: um protótipo na Escócia e os outros três construídos de forma industrial na Póvoa de Varzim", enumerou, sublinhando que, apesar de a Escócia estar também a estudar as possibilidades da energia das ondas, a instalação dos dispositivos naquele país vai demorar "pelo menos três anos".
O presidente da APREN admitiu, no entanto, que, às vezes, "as coisas não vão com a celeridade que se pretende".
O antigo administrador da Enersis, um dos motores do projecto, aconselhou o "investimento em outras tecnologias" para desenvolver a energia.
A primeira fase do parque de ondas da Aguçadoura arrancou com uma capacidade inicial de 2,25 megawatts (MW), correspondente às três máquinas Pelamis, instaladas e equivalente para iluminar mil a 1500 habitações.
A segunda fase do projecto previa, no entanto, um aumento da capacidade para 20 MW e um total de 25 máquinas, o que implicaria um investimento na ordem dos 60 a 70 milhões de euros e permitiria responder à procura média anual de electricidade de 15 mil famílias.