| Carlos Lopes (arquivo) |
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| O comércio mundial está em contenção |
O crescimento mundial poderá ser pela primeira vez em mais de 60 anos negativo este ano e os efeitos da crise serão particularmente severos em África, alertou hoje o director-geral do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, numa conferência na Tanzânia, precisamente para avaliar o impacto da crise mundial no continente africano.
“O FMI prevê um crescimento mundial abaixo de zero este ano, o pior resultado alguma vez visto entre nós”, admitiu Strauss-Kahn, perante a plateia de líderes africanos em Dar es-Salaam.
As causas são já conhecidas e foram novamente relembradas pelo responsável do fundo: a degradação do ambiente financeiro mundial, associada ao agravamento da confiança das famílias e dos empresários, “mina a procura interna em todo o mundo”.
Há um mês, o FMI apontava ainda para um crescimento que poderia ser em redor de zero, mas à medida que as semanas passam e novos dados da realidade económica dos países são obtidos mais aproximada se torna a percepção da evolução mundial.
Para Strauss-Kahn, a previsão da Primavera do fundo, a divulgar em Abril, trará uma análise mais aprofundada desta perspectiva da economia mundial, sendo certo que apontará para “um crescimento negativo”.
No que respeita a África, a crise internacional irá afectar milhões de africanos e poderá reverter a aparente estabilidade em muitos dos seus países, avisa o mesmo responsável, antecipando uma diminuição das trocas comerciais no continente, a redução das remessas de emigrantes e a contenção do investimento estrangeiro.
Apesar desse cenário sombrio, o FMI antecipa para este ano um crescimento, ainda assim, de três por cento no continente africano, uma projecção bem pior do que os 5,4 por cento apurados um ano antes.