Trimestre ainda não reflecte despedimentos e rescisões de contratos em todos os sectores
| Hugo Delgado (arquivo) |
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| O têxtil, mas também as cortiças, as tecnológicas, o sector automóvel, todos estes sectores anunciaram o fecho ou o despedimento de trabalhadores |
A taxa de desemprego aumentou uma décima entre o terceiro e o quarto trimestres do ano passado, para 7,8 por cento, um valor que fica ligeiramente abaixo das expectativas de alguns economistas e que pode não reflectir os despedimentos e rescisões de contratos anunciados na generalidade dos sectores de actividade, face à actual crise nacional e internacional.
Segundo as estatísticas de emprego do INE, hoje divulgadas, a população desempregada é estimada em 437,6 mil indivíduos, valor que corresponde a um acréscimo de 0,9 por cento em relação ao terceiro trimestre de 2008, mas constitui um recuo de 0,4 por cento face ao mesmo trimestre de 2007.
O inquérito do Instituto Nacional de Estatística estima ainda que em valores homólogos a taxa de desemprego não se alterou entre o quarto trimestre de 2008 e o mesmo trimestre de 2007, mantendo-se nos 7,8 por cento. Mais ainda, em média a taxa de desemprego do ano passado ficou-se pelos 7,6 por cento, “um decréscimo de 0,4 pontos percentuais” face a 2007.
Estes números são um pouco mais favoráveis do que estimaram ontem alguns economistas contactados pela Lusa, que esperavam um acréscimo mais acentuado da taxa de desemprego, para 7,9 por cento, segundo o economista-chefe do BCP, Gonçalo Pascoal, ou para os 8,1 por cento, nas contas da analista do BPI, Paula Gonçalves.
Os dois economistas justificavam estes números, ainda conservadores, pelo facto de o mercado de trabalho estar desfasado em relação ao andamento da economia, que como se sabe se entra em recessão técnica desde o quarto trimestre do ano passado e se estima irá permanecer em recessão ao longo deste ano.
No último trimestre do ano passado, um pouco por toda a indústria e serviços anunciou-se a paragem da produção por um, três, dez dias, “lay-off” de trabalhadores e a perspectiva de redução do quadro de pessoal. Já nos primeiros dois meses deste ano começaram-se a ouvir relatos do fecho de empresas, redução de trabalhadores, paragens mais prolongadas da produção nas unidades de automóveis e segmento de automóveis, têxtil, cortiça e tecnológicas.