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Pneus chineses discutidos por Obama em Pequim
Um funcionário de uma fábrica de pneus na provincia de Anhui, na China, trabalha no armazem. As exportações de pneus da China para os EUA e as taxas recentemente impostas por Washington são um dos temas a debater durante a visita de Barack Obama à China. Fotografia: REUTERS/Stringer

 
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É o valor, em mil milhões de euros, que atinge o crédito incobrável no segmento dos particulares em Portugal
 

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Entrevista à SIC
Sócrates: “Tudo aponta para um cenário cada vez mais provável de recessão”
05.01.2009 - 22h50
Por Romana Borja-Santos 
Nuno Ferreira Santos (arquivo)
O primeiro-ministro criticou a oposição "bota-abaixo" e disse que a repetição da maioria absoluta era ideal para o país
O primeiro-ministro admitiu hoje pela primeira vez que Portugal poderá entrar em recessão e que quando o Governo apresentou o Orçamento do Estado para 2009, em Setembro, “ninguém tinha consciência da dimensão da crise”.

Ainda assim, José Sócrates prometeu tomar medidas para que nenhum banco ou empresa entre em falência e centrar a sua prioridade no emprego. Sobre as divergências com Cavaco Silva, garantiu que são questões que se devem aprender a gerir. O primeiro-ministro assegurou, também, que a avaliação dos professores é mesmo para continuar.

Em entrevista à SIC, apesar de reconhecer que a situação económica mundial e do país é mais grave do que esperava, o primeiro-ministro voltou a insistir que a consolidação orçamental que tem sido desenvolvida desde 2005 deixou Portugal mais bem preparado e proporcionou um crescimento económico significativo. Sócrates salientou também a criação de 130 mil postos de trabalho e o facto de sermos o único país da Zona Euro que manteve o objectivo orçamental para 2008 (2,2 por cento).

Questionado sobre a queda do investimento estrangeiro, o secretário-geral do Partido Socialista fugiu aos números e destacou alguns investimentos recentes como a Repsol e a Advanced em Sines. A propósito do grave endividamento externo de Portugal, que se situa nos 150 mil milhões de euros (uma média de 15 mil euros por português), o chefe de Governo destacou a aposta que tem sido feita nas energias renováveis e o facto de Portugal ser o quinto país da Europa nesta área - uma forma de combater a dívida que o sector geral da energia representa (50 por cento do total). Contudo, não negou que o endividamento é um problema estrutural do país.

Para justificar as várias linhas de crédito e as garantias dadas à banca, José Sócrates criticou a visão dos que acham que não se deve fazer nada. “Temos o dever de agir numa situação de emergência e extraordinária”, explicou. E acrescentou: “É uma crise global e gravíssima”, admitindo também que, aquando da apresentação, em Setembro, do Orçamento do Estado para o próximo ano, não havia consciência da dimensão do problema. Perante este cenário, o responsável admite rever as previsões de desemprego para o país – “todos os governos foram surpreendidos pelo impacto e pela dimensão da crise”.

Ainda assim, o Governo considera improvável verificar-se uma baixa de impostos, considerando que ao dar benefícios fiscais às empresas (baixa do IRC, pagamento especial por conta e crédito fiscal ao investimento) está também a ajudar todos os portugueses.

Investimento público em grandes obras

Questionado sobre os avultados e polémicos investimentos públicos numa altura de crise o primeiro-ministro não tem dúvidas: “A nossa economia precisa de investimento público” e em todos os projectos foi feito um estudo de custo-benefício. Segundo o líder do PS “já não é politicamente um erro [não investir], é moralmente errado”, acrescentando que “esses investimentos não vão ter nenhuma expressão em 2009”. Assim, Sócrates considera natural o pagamento posterior das concessões das grandes obras. “Estamos a financiar como sempre financiámos”, disse.

José Sócrates abordou ainda a nacionalização do BPN e as ajudas ao BPP, assegurando que “a alternativa era muito pior”. Para o primeiro-ministro trata-se de uma situação de emergência e de proteger os depositantes. E estabeleceu uma relação: “Foi a partir do momento que demos as garantias aos bancos que as taxas Euribor foram estabilizadas”. Questionado sobre se vai ajudar todos os bancos e empresas, prometeu salvar todos os que puder, pois “não se lidera assistindo a tudo do lado de fora”. A propósito dos fundos europeus para o sector agrícola que ficaram por utilizar, o chefe de Estado garantiu que a resposta será dada em Janeiro, já que a tutela não tinha dinheiro para financiar os seus 25 por cento no último orçamento.

A entrevista ao primeiro-ministro, conduzida por José Gomes Ferreira e Ricardo Costa, começou com o seu diferendo com o Presidente da República, Cavaco Silva, a propósito dos artigos 114º e 140º do Estatuto dos Açores. “Nem o Governo nem a Assembleia da República desejaram afrontar ninguém”, sublinhou Sócrates.

Para o primeiro-ministro trata-se essencialmente de uma diferente interpretação da Constituição da República Portuguesa e de uma divergência que poderia ter sido evitada se Cavaco tivesse enviado estes pontos para o Tribunal Constitucional. Segundo Sócrates, o PS foi coerente e manteve a posição que defendeu antes das eleições – mostrando lealdade para com os açorianos. “Ambos temos consciência dos nossos deveres de cooperação institucional”, assegurou o primeiro-ministro, que defendeu ser necessário “gerir convenientemente as divergências”.

Relação com Manuel Alegre

Sobre os diferendos internos com Manuel Alegre, o secretário-geral socialista considerou-os normais num partido que não é de “elites e de vanguardas”. “Tenho respeito e consideração pelo Manuel Alegre pelo que representa no PS e na vida intelectual portuguesa”, afirmou, dizendo ainda que a “diversidade enriquece” um partido onde cabem várias “sensibilidades”.

Questionado sobre as eleições de 2009, Sócrates não quis antecipar cenários mas admitiu que “a maioria absoluta é necessária e é o que o país necessita”, considerando a “estabilidade governativa” essencial nas actuais circunstâncias. “A única certeza que tenho é que estou à altura dessa vitória”, sublinhou. Sobre a possibilidade de realizar as legislativas e as autárquicas em simultâneo, Sócrates mostrou-se contra a ideia, por ser "negativo para a democracia local", mas disponível para chegar a uma concertação com Cavaco Silva.

A avaliação dos professores foi outro dos “temas quentes” da entrevista. Apesar de simplificado, considera que o actual modelo responde ao essencial e que promove uma “melhoria do estatuto social do professor”, que durante 30 anos não existiu. Sem querer ser “o mau da fita”, Sócrates disse que o Executivo também “não cometeu o erro de desistir o processo”, numa das principais áreas para o sucesso económico do país.
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"O 'monstro' não se controlou. Pelo contrário, parece totalmente descontrolado"
Helena Garrido, "Jornal de Negócios", 20-11-2009
 

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