| Pedro Cunha |
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| A greve inicia-se hoje às 00h00 mas afectará apenas as bilheteiras |
A empresa Soflusa, responsável pelas ligações fluviais entre Lisboa e Barreiro, explicou hoje que o Sindicato dos Fluviais apresentou uma proposta irrealista o que impossibilitou um acordo que possa pôr fim às greves.
A nova greve começa hoje às 00h00 para os trabalhadores afectos à área comercial, por um período de 24 horas, estando também prevista para os dias 25, 31 de Dezembro e 1 de Janeiro, o que vai afectar essencialmente as bilheteiras.
Para os dias 5, 6 e 7 de Janeiro vão ser os trabalhadores da área marítima e auxiliares de terra que vão parar, duas horas por turno, o que vai afectar novamente as ligações entre as duas margens.
A Soflusa considera que a proposta do Sindicato dos Fluviais de um aumento global superior a 4 por cento é "irrealista, claramente inaceitável e incompatível com a situação financeira da empresa (deficitária e com elevado endividamento), e com a realidade sócio-económica dos país".
A Administração da Soflusa explicou ainda, em comunicado enviado à Lusa, que no período entre 2003 e 2007, os trabalhadores da Soflusa tiveram um aumento real do seu poder de compra de 1,90 por cento, e que a actual remuneração mensal média de um mestre na Soflusa é cerca de 2 mil euros.
Na sequência das greves convocadas pelo Sindicato dos Fluviais, nos últimos 3 meses, a Soflusa lembrou também os esforços que tem feito para ultrapassar o impasse a que chegaram as negociações salariais referentes a 2008.
No dia 30 de Julho, perante a impossibilidade de acordo face à substancial diferença entre as propostas da empresa e dos sindicatos, a empresa encerra as negociações e implementa por acto de gestão, com efeitos desde 1 de Maio, a actualização de 2,1 por cento na Tabela Salarial e subsídios agregados ao salário.
A 15 de Setembro, por iniciativa de um sindicato é dado início à fase de conciliação, através da convocação da empresa e dos quatro sindicatos pelo Ministério do Trabalho, onde Sindicato dos Fluviais não compareceu nas reuniões.
Ao fim de sete reuniões, foi estabelecida uma base de entendimento com os três sindicatos e 26 de Novembro a empresa requereu a conciliação com o Sindicato dos Fluviais.
Devido à proposta apresentada pelo Sindicato dos Fluviais, que a empresa considerou "irrealista", a 11 de Dezembro o processo no Ministério do trabalho fechou sem acordo devido à "intransigência do Sindicato dos Fluviais".
No entanto, a empresa refere que num último esforço negocial, foi possível estabelecer "uma plataforma de acordo com os restantes sindicatos".
"A base de entendimento passava pela proposta global, desde que aceite por todos os sindicatos, com um compromisso de trégua laboral até ao fecho do processo de revisão salarial de 2009", refere.
"Devido a dúvidas colocadas pelo sindicato dos fluviais, aliás sem razão de ser, a empresa decidiu retirar o termo trégua laboral (embora exija a retirada dos presentes pré avisos de greve), o que não foi suficiente para aquele sindicato dar o seu acordo", acrescentou.