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Pneus chineses discutidos por Obama em Pequim
Um funcionário de uma fábrica de pneus na provincia de Anhui, na China, trabalha no armazem. As exportações de pneus da China para os EUA e as taxas recentemente impostas por Washington são um dos temas a debater durante a visita de Barack Obama à China. Fotografia: REUTERS/Stringer

 
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Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças
BPN: MP pediu informações ao Banco de Portugal sobre o Insular em 2004
19.12.2008 - 20h27
Por Lusa 
Daniel Rocha (arquivo)
Deputados estranham que Vítor Constâncio tenha negado troca de informações sobre o banco em Cabo Verde
O Procurador-geral da República (PGR), Fernando Pinto Monteiro, revelou hoje no Parlamento que o Ministério Público enviou um ofício ao Banco de Portugal (BdP), em 2004, onde requeria informações sobre o Banco Insular de Cabo Verde. O responsável, que foi hoje ouvido pela Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, afirmou aos deputados que o BdP respondeu dias depois que não tinha qualquer registo do Banco de Cabo Verde.

O pedido de informação em causa, que foi enviado pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) a 10 de Dezembro de 2004, teve lugar no âmbito de uma investigação a uma empresa portuguesa, que o Procurador não identificou e que na altura tinha negócios com o Banco Insular. Em causa estavam dúvidas a respeito com um negócio de venda de terrenos num processo que estava a correr no DCIAP e que não estava relacionado com o BPN, adiantou Pinto Monteiro.

Estas declarações vão ao encontro da notícia avançada a 10 de Novembro, que dava conta que o Ministério Público investigou negócios do Insular com empresas portuguesas, em 2004 e 2005, no âmbito de uma investigação por suspeita de branqueamento de capitais. Durante anos, o Banco Insular de Cabo Verde foi controlado de forma clandestina pelo Banco Português de Negócios, sendo utilizado para ocultar das autoridades várias centenas de milhões de euros em perdas e imparidades com operações de crédito.

Segundo afirmou recentemente o Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, o supervisor apenas teve conhecimento de ligações entre o BPN e o Insular em 2007, sendo que o banco apenas reconheceu controlar a instituição cabo-verdiana em Junho de 2008, já após a saída do anterior presidente, José de Oliveira e Costa, que actualmente se encontra detido em prisão preventiva por suspeitas de burla e branqueamento de capitais, entre outros crimes.

Na mesma ocasião, Vítor Constâncio garantiu ainda que o BdP nunca recebeu informações do Ministério Público a respeito do Banco Insular. A descoberta destas imparidades e o reconhecimento, por parte do BPN, de que o Insular era por si controlado, levaram ao colapso do banco e à sua recente nacionalização.

MP não está preparado para lidar com criminalidade financeira

Pinto Monteiro assumiu, também, que o Ministério Público não está preparado para lidar com a criminalidade económica e financeira. "Eu nunca peço mais meios. O que digo é que fazemos o que podemos com os meios que temos", disse o procurador. "Tenho 25 inspectores tributários a trabalhar na Operação Furacão mas também tenho dois milhões de documentos contabilísticos para investigar", acrescentou.

Por outro lado, considerou, existem muitas dificuldades em investigar crimes que envolvem relações económico-financeiras internacionais. "Eu tenho rogatórias há 3 anos por cumprir em Inglaterra", revelou o procurador, acrescentando que as dificuldades aumentam devido a diferenças na legislação.

O procurador, que foi ouvido pelos deputados a respeito do caso BPN, salientou a necessidade de uma maior articulação entre o Ministério Público e as entidades de supervisão (Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e Instituto de Seguros de Portugal), para lidar com esta forma de crime. As relações de cooperação entre o Ministério Público e as entidades de supervisão, no caso o Banco de Portugal, "estão muito esbatidas", considerou.

Segundo Pinto Monteiro, estão neste momento a decorrer quatro processos relacionados com o BPN, sendo que dois estão inseridos na Operação Furacão e os restantes devem-se a queixas apresentadas pelo Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, bem como por Miguel Cadilhe, presidente da Sociedade Lusa de Negócios (SLN, que era proprietária do BPN até à sua nacionalização).
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"O 'monstro' não se controlou. Pelo contrário, parece totalmente descontrolado"
Helena Garrido, "Jornal de Negócios", 20-11-2009
 

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