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Pneus chineses discutidos por Obama em Pequim
Um funcionário de uma fábrica de pneus na provincia de Anhui, na China, trabalha no armazem. As exportações de pneus da China para os EUA e as taxas recentemente impostas por Washington são um dos temas a debater durante a visita de Barack Obama à China. Fotografia: REUTERS/Stringer

 
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Banca
Filha do presidente angolano reforça ligações à economia portuguesa
18.12.2008 - 17h44
Por Lusa 
A entrada de Isabel dos Santos, filha mais velha do presidente angolano, no capital do BPI é a mais recente das ligações a empresas portuguesas e angolanas que operam nos dois países, em especial nas telecomunicações e na banca.

O Millennium BCP anunciou quarta-feira ter vendido a posição de 9,69 por cento que detinha no BPI à Santoro Financial Holdings, sociedade de Isabel dos Santos, por cerca de 164 milhões de euros.

Com o negócio do BPI anunciado quarta-feira, a jovem empresária de 35 anos licenciada em Engenharia Electrotécnica em Londres, estreita as relações com o banco liderado por Fernando Ulrich, que recentemente vendeu 49,9 por cento do Banco Fomento Angola (BFA) à operadora de telecomunicações angolana Unitel, que tem Isabel dos Santos entre os seus accionistas de referência.

Por outro lado o BPI torna-se, assim, o segundo grande banco nacional a contar com investimentos angolanos no seu capital, a par do Millennium BCP, que tem como principal accionista a petrolífera angolana Sonangol (com cerca de 10 por cento do capital).

Isabel dos Santos junta a participação no BPI à posição de 25 por cento que controla no capital do Banco BIC Portugal (liderado por Mira Amaral, antigo ministro da Indústria dos governos de Cavaco Silva).

O BIC Portugal tem uma estrutura accionista idêntica à do BIC Angola, o banco "gémeo".

Os maiores accionistas do BIC Portugal são o empresário português Américo Amorim, com 25 por cento, e a Sociedade de Participações Financeiras (SPF), de Isabel dos Santos, também com 25 por cento, e Fernando Teles, presidente do BIC Angola (20 por cento).

Do lado dos bancos portugueses em Angola, a filha de Eduardo dos Santos está presente no BES Angola SARL (BESA), através da Geni, sociedade gestora de participações, que detém 20 por cento do capital. O Grupo Espírito Santo detém os restantes 79,96 por cento.

De acordo com um perfil da filha do presidente angolano elaborado pelo jornal Público em 2007, foi também através da Geni - Novas Tecnologias que Isabel dos Santos entrou na Unitel, a empresa que detém os direitos de exploração de telemóveis em Angola. De acordo com o Público, a adjudicação deste contrato foi feita directamente pelo presidente angolano.

A ligação da Unitel a empresas portuguesas surge através da Portugal Telecom (PT), que indica na sua página na Internet dedicada aos investimentos internacionais deter uma participação de 25 por cento na empresa angolana.

A informação mais recente sobre a Unitel na página da PT é relativa a 2006 e dá conta que nesse ano a empresa angolana registou receitas de 517,1 milhões de euros, um crescimento de 44,7 por cento face ao ano anterior.

O sector da energia é outra das áreas em que há ligações entre Isabel dos Santos e empresas portuguesas.

Em Setembro, o jornal Diário Económico referia que Isabel dos Santos - juntamente com a Sonangol - controla 45 por cento da Amorim Energia, uma "holding" do empresário português Américo Amorim com sede na Holanda. Os restantes 55 por cento pertencem a Américo Amorim.

Por sua vez a Amorim Energia controla um terço (33,34 por cento) do capital da petrolífera Galp Energia.

Também o marido de Isabel dos Santos, Sindica Dokolo, está ligado à Amorim Energia.

Segundo informações do grupo Amorim prestadas ao Público em Abril deste ano, Sindica Dokolo, natural da República Democrática do Congo (RDC) e filho de Sanu Dokolo, um dos milionários daquele país, pertence à administração da Amorim Energia "desde o início do investimento", em 2006.

As ligações entre Isabel dos Santos e Américo Amorim, segundo a imprensa angolana, também existem através da maior cimenteira de Angola, a Nova Cimangola, nos arredores de Luanda. A empresa, escreve a imprensa local, é controlada pela Ciminvest, detida pelo empresário português e pela filha do presidente angolano.

A Nova Cimangola era detida em 40 por cento pela portuguesa Cimpor. No entanto, dois anos depois da compra desta participação, o Governo de Angola veio afirmar que o negócio violava a lei e as regras do mercado de capitais, por não ter respeitado o direito de preferência que o accionista público detinha sobre as acções.

A participação foi vendida ao Estado e algum tempo depois revendida à Ciminvest.

Por outro lado, uma notícia da Lusa em Novembro de 2006 dava conta que a empresa de mobiliário de escritório Iduna contava com Isabel dos Santos como parceira local da nova fábrica que a empresa iria abrir em Luanda. Em causa estava um investimento de 2,5 milhões de dólares para abrir a nova unidade de produção, que sofreu atrasos na sequência de atrasos nos licenciamentos, disse na altura o presidente da Iduna, Alberto Carvalho Araújo.

Segundo o perfil de Isabel dos Santos feito pelo Público em 2007, a filha mais velha do presidente angolano ficaria com 45 por cento deste investimento da Iduna.
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"O 'monstro' não se controlou. Pelo contrário, parece totalmente descontrolado"
Helena Garrido, "Jornal de Negócios", 20-11-2009
 

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