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Pneus chineses discutidos por Obama em Pequim
Um funcionário de uma fábrica de pneus na provincia de Anhui, na China, trabalha no armazem. As exportações de pneus da China para os EUA e as taxas recentemente impostas por Washington são um dos temas a debater durante a visita de Barack Obama à China. Fotografia: REUTERS/Stringer

 
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É o valor, em mil milhões de euros, que atinge o crédito incobrável no segmento dos particulares em Portugal
 

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Acordo com o Governo conseguido em menos de duas semanas
Estado paga 80 por cento dos salários e proíbe despedimentos até 2010
04.12.2008 - 08h21
Por Lurdes Ferreira 
Daniel Rocha (arquivo)
O plano destina-se a empresas com excesso de capacidade laboral
No primeiro semestre de 2009, e também muito provavelmente no segundo, o Estado garantirá o pagamento, em média, de 80 por cento do salário de 10 mil trabalhadores da indústria automóvel, através de cursos de formação financiados por fundos públicos nacionais e comunitários.

Este é um dos principais pontos do plano de 900 milhões de euros de apoio ao sector automóvel, assinado ontem entre o Governo e o sector e que institui, entre outros, um programa de 70 milhões de euros para qualificação de 10 mil trabalhadores desta indústria, entre construtores e fornecedores de componentes. O documento orienta-se fundamentalmente para o objectivo de evitar o desemprego qualificado em Portugal e impede as empresas beneficiárias destes apoios de realizarem despedimentos colectivos paralelos em 2009 e 2010.

O Ministério do Trabalho, contactado pelo PÚBLICO, não confirma o montante da repartição do esforço adiantado pelas empresas, embora afirme que "será garantida a totalidade da remuneração líquida dos trabalhadores, a qual será comparticipada pelo Estado e pelas empresas". Garante, no entanto, que a situação excepcional "impossibilita as empresas de realizarem despedimentos colectivos em 2009 e 2010, dependendo da duração do período em que beneficiam do apoio". Obriga-as, ao mesmo tempo, assim como aos trabalhadores, a manterem "a obrigação de realizar descontos para a Segurança Social".

O acordo entre indústria e Governo, obtido em duas semanas, estabelece condições inéditas para um sector que enfrenta quebras de 20 a 40 por cento das suas encomendas e vai trabalhar em Dezembro apenas 25 por cento de um "Dezembro normal", segundo estimativas empresariais, em resultado de uma profunda crise internacional.

Trata-se da primeira grande iniciativa política a usar os novos mecanismos previstos no Código do Trabalho, recentemente aprovados, e que entram em vigor em 1 de Janeiro próximo, sendo também fruto das medidas iniciadas há alguns anos na Autoeuropa: flexibilização do tempo de trabalho, através da criação de bancos de horas e horários concentrados.

A impossibilidade de despedimentos é uma das cinco obrigações contratuais das empresas do sector que recorrerem a estes apoios. As outras quatro: os salários dos administradores não podem ser aumentados até ao final de 2009, não haverá distribuição de lucros, o nível de emprego definido com o Governo terá de ser mantido, e as estruturas representativas dos trabalhadores terão de ser consultadas e informadas.

Serão elegíveis para este programa as empresas que comprovarem o "potencial excesso de capacidade laboral", demonstrarem "que o mesmo decorre de factores conjunturais", que têm as obrigações ao fisco e à Segurança Social em dia e que têm saúde financeira e viabilidade económica.

Ontem, o ministro da Economia, Manuel Pinho, anunciou que este programa para ajudar as empresas a ultrapassarem um 2009 que se teme muito adverso é válido para o primeiro semestre e poderá ser renovado por mais seis meses. A decisão, segundo o gabinete do ministro do Trabalho, Vieira da Silva, "dependerá da conjuntura económica, bem como da avaliação dos resultados do plano".

O Governo não diz quanto representam estes 10 mil trabalhadores no conjunto do emprego qualificado em Portugal, mas garante que o esforço directo do Orçamento do Estado ronda os 100 milhões de euros, dado o co-financiamento europeu, parte do qual já afecto a projectos aprovados mas ainda não pagos, e a alavancagem dos produtos financeiros anunciados.

O plano para ajudar a indústria que emprega 50 mil trabalhadores e garante 15 por cento das exportações em Portugal prevê medidas de curto prazo, como o lançamento de uma linha de crédito específica de 200 milhões de euros, e de médio prazo, como os apoios a investimentos que as ajudem a prepararem-se para o novo ciclo que nascerá depois da crise e que exigirá maior intensidade tecnológica, mais eficiência e especialização em tecnologias de emissões reduzidas.

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"O 'monstro' não se controlou. Pelo contrário, parece totalmente descontrolado"
Helena Garrido, "Jornal de Negócios", 20-11-2009
 

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