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Existem mais de cem mil hectares infectados na Região Centro
Peritos alertam que erradicação do nemátodo do pinheiro "já é impossível"
26.11.2008 - 15h48
Por Lusa 
PÚBLICO (arquivo)
O nemátodo da madeira do pinheiro é uma doença causada por um verme microscópico transportado por um insecto
A erradicação do nemátodo do pinheiro em Portugal "já não será possível" e na região Centro estão afectados mais de cem mil hectares, foram ideias hoje defendidas no âmbito de um seminário, em Coimbra.

Na opinião do presidente da Federação Nacional das Associações de Proprietários Florestais, Vasco Campos, a situação "é muito preocupante e não tem merecido a devida atenção".

"Na região Centro (onde foram detectados dois novos focos), são centenas de milhares de árvores, seguramente mais de cem mil hectares", declarou Vasco Campos aos jornalistas, após intervir no seminário sobre "Nemátodo da Madeira do Pinheiro -- Que futuro para a floresta de pinho em Portugal".

O nemátodo da madeira do pinheiro é uma doença causada por um verme microscópico transportado por um insecto que contamina as árvores por onde passa, afectando sobretudo a copa e os ramos.

Em Portugal, existe um plano de combate da doença mas, diz Vasco Campos, "precisa de ajustes" e as medidas que estão a ser tomadas "não chegam" para combater a situação.

"Temos de agir de uma forma muito mais rápida, concertada e clara, o que se está a passar na região Centro é demasiado grave para que não se tome uma acção a sério de corte de árvores infectadas", disse.

Vasco Campos defende que a acção do Estado deve ter em conta as particularidades da floresta do pinheiro na região Centro, caracterizada por "proprietários ausentes, propriedades abandonadas, micro-parcelas e organizações de propriedades florestais ainda pouco fortes".

A situação chegou a um ponto em que "já não se conseguirá erradicar" o nemátodo de Portugal, defendeu, por sua vez, Edmundo Sousa, engenheiro florestal do Instituto Nacional dos Recursos Biológicos, que abordou a questão na perspectiva da investigação.

"Podemos erradicar focos muito pontuais, manter uma situação de controlo da doença para limites ínfimos, mas erradicar de todo o país já não será possível", afirmou, à margem do encontro.

Para o investigador, "a grande acção" que deve ser tomada é "cortar as árvores afectadas enquanto o insecto ainda se encontra dentro delas, ou seja, durante o período do Inverno".

"Mas não basta cortar as árvores, é preciso destruir também os sobrantes, o que fica no local, que é onde existe o insecto", alertou.

Edmundo Sousa considera que, na região Centro, "o grande problema é operacional", sendo necessário reforçar os apoios aos proprietários.

"Temos de ir muito mais para o campo, apoiar mais os proprietários, têm de ser os gabinetes das próprias câmaras municipais ou as associações florestais a desenvolver mecanismos para destruir os sobrantes", disse.

Também Luís Dias, dirigente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), que abordou "a visão dos proprietários", reclamou mais apoios para os produtores, nomeadamente financeiros.

"Tem havido sempre uma discriminação negativa dos proprietários florestais, em muitos casos vistos como parte do problema, mas são os mais prejudicados", afirmou.

Os produtores "têm de ter uma gestão activa na erradicação das árvores afectadas e poder actuar ao nível da reflorestação", sustentou.

"Há instrumentos no âmbito da União Europeia (para apoios financeiros) que, ao nível do Estado português não estão acessíveis", referiu.

O novo PRODER - Programa de Desenvolvimento Rural "não pode ser um emaranhado burocrático em que não se consegue de nenhuma forma ter acesso", criticou.

De acordo com Telma Ferreira, da Autoridade Florestal Nacional, no âmbito do combate da doença do pinheiro, este ano foram "realizadas 2608 análises", das quais "70 deram resultados positivos", situando-se "a maior parte (60) na região Centro".
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Vítor Bento, jornal "Público", 8-2-2010
 

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