| Daniel Rocha (arquivo) |
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| Depois do BPN, as Finanças têm outro problema pela frente que se chama BPP |
O futuro do Banco Privado Português (BPP) está nas mãos das autoridades, que nos últimos dias têm procurado encontrar uma solução para resolver o actual impasse que se vive na gestora de activos e de fortunas.
Durante a semana, o Ministério das Finanças, através do secretário de Estado, Carlos Costa Pina, manteve contactos com parte do sistema financeiro nacional no sentido de encontrar um comprador para o BPP. A iniciativa não vingou, nomeadamente junto da CGD e do BCP, que consideraram que a instituição tinha associados riscos elevados.
Em desespero de causa, os clientes do BPP admitiam que o dossier tivesse chegado durante a tarde de ontem ao BPI para ser analisado. Mas não terá havido abertura para o estudar, tendo em conta a natureza da instituição e as condições dos mercados. Não foi possível confirmar a informação junto do grupo liderado por Fernando Ulrich. João Rendeiro não esteve disponível para responder ao contacto do PÚBLICO.
Em causa está um contexto de extrema vulnerabilidade do BPP, que tem alavancado a sua actividade no segmento de fundos de private equity (de altíssimo risco), o que já levou as agências de análise de risco a reverem em baixa o rating internacional (que mede a força de um banco) de D+ para D e a classificação da dívida de longo prazo de Ba3 para Ba2.
Clientes preocupadosNos últimos dias, e com receio de que o BPP possa enfrentar um bloqueio de liquidez, um número crescente de clientes têm tentado levantar os depósitos (de rentabilidade garantida) e solicitar a retirada dos seus capitais dos veículos de investimento constituídos pelo próprio banco para investir nos mercados bolsistas (que investem num número restrito de activos).
O banco funcionava através de várias holdings, nas quais possui uma posição minoritária, e cuja maioria do capital foi subscrito por clientes, que temem agora ficar sem o dinheiro ali aplicado, dada a queda contínua dos mercados accionistas. Durante vários anos, esta solução foi altamente rentável, gerando grandes mais-valias para os clientes do BPP (de elevados rendimentos), mas, com a crise financeira, o modelo de negócio revelou--se fatal (o BPP tem cerca de três mil clientes).
É neste contexto que o Governo admite intervir. Na quarta-feira, ficou a saber que o BPP (a holding que o controla tem um capital social de 150 milhões de euros) tinha recorrido ao aval do Estado para se poder ir financiar em 750 milhões de euros nos mercados internacionais. Isto porque o Citigroup exigia uma garantia pública para emprestar a João Rendeiro 500 milhões de euros. A garantia estatal de 20 mil milhões de euros, criada pelo Governo, destina-se a ser usada pelos bancos comerciais que concedem crédito aos particulares e às empresas, uma actividade que o BPP não desenvolve.
Tendo em conta a natureza do BPP e a sua dimensão, dificilmente o Banco de Portugal e o ministério poderão dar luz verde ao aval de 750 milhões. Daí terem procurado antes encontrar uma solução que resultasse na absorção da instituição por outra.
Se esta via falhar, admite-se que o BdP e as Finanças acabem por dar um aval, embora de menor valor, e mais adequado à dimensão do banco de João Rendeiro. Outra hipótese de salvamento pode passar pelo BdP, que, do ponto de vista legal, tem possibilidade de ajudar um banco em dificuldades (metendo lá dinheiro). Neste caso, o Governo indicará administradores provisórios para o BPP.
Os esforços das autoridades para "salvar" um banco como o BPP é evitar o risco sistémico. Ou seja: que a des-
confiança no sistema financeiro se alastre a todo o sector, em particular à banca comercial que recebe depósitos e dá crédito à economia.