| Fernando Veludo (arquivo) |
 |
| A economista-chefe do BPI lembra que o sector da construção pode vir a ser prejudicado pela incapacidade de resposta dos bancos |
O sistema financeiro português pode ser incapaz de responder às necessidades de financiamento das empresas e particulares e, dessa forma, travar o crescimento económico do país, alerta o BPI num relatório de Novembro sobre os mercados financeiros.
"Num momento em que a economia está a perder alguns dos seus motores de crescimento dos últimos anos (exportações e investimento), o sector bancário português (...) poderá não dispor dos meios suficientes para manter o ritmo de financiamento à actividade económica, redundando num factor adicional de arrefecimento da economia nacional por via de abrandamento do consumo e do investimento em construção, que vinha revelando sinais de melhoria do desempenho", pode ler-se no relatório do BPI.
"O crédito bancário é uma fonte de financiamento para o sector não financeiro muito mais relevante em Portugal do que noutras economias", nota Cristina Casalinho, economista-chefe do BPI no mesmo documento.
Entre 2000 e 2006, o crédito bancário representava perto de 70 por cento dos meios de financiamento da economia portuguesa, valor que compara com percentagens de 40 por cento em França, perto de 55 por cento na Alemanha e em Espanha, e menos de 20 por cento nos EUA, segundo dados do Banco Mundial citados pelo BPI.
Portugal é o país, de um conjunto de 10, em que a importância do mercado de acções para o financiamento é mais baixo (pouco mais de 20 por cento), segundo os mesmos dados.
Cristina Casalinho considera que "esta dependência" de empresas e particulares do crédito da banca é "particularmente importante" na actual conjuntura, já que Portugal tem um elevado défice externo, que deverá ser de 13 por cento do PIB em 2009, segundo o FMI.
Como a explosão do crédito em Portugal, nos últimos anos, não foi acompanhada por uma forte subida dos depósitos, os bancos portugueses tornaram-se "dependentes" do mercado monetário e de capitais externo, nota a mesma economista.