| Charles Platiau |
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| Apesar da recessão técnica, Eric Woerth disse que a França irá crescer à volta de um por cento |
O Governo francês reconheceu hoje que a economia está em "recessão técnica" nesta segunda metade do ano, definição que corresponde a dois trimestres consecutivos com o Produto Interno Bruto negativo.
A previsão foi antecipada pelo instituto nacional de estatística francês, o Insee, e confirmada hoje pelo ministro francês do Orçamento, Eric Woerth, que associou a definição de “recessão técnica” à contracção da economia durante dois trimestres consecutivos.
No entanto, o ministro sublinhou que para o ano em curso o Produto Interno Bruto deverá crescer um por cento, um argumento que Woerth utilizou, na sua primeira intervenção sobre o assunto, para desmentir que o país entraria em recessão, escreve o “Le Monde” online.
"Não é necessário jogar com as palavras, considero tudo isso ridículo", tinha reagido o ministro hoje de manhã, à notícia sobre a situação de recessão técnica da França. “Naturalmente, a França não está em recessão”, disse então, acrescentando que havia uma definição técnica e estatística de recessão e depois há a realidade das coisas.
O abrandamento da economia francesa coincide com a crise financeira internacional, que se agudizou há quase duas semanas, com a forte quebra das bolsas internacionais na já conhecida “segunda-feira negra”.
A fragilidade da França pode ser um sinal para outras economias da Zona Euro, caracterizada pela forte interdependência comercial.
Ontem, o Banco Central Europeu reconheceu que os recentes acontecimentos nos mercados financeiros irão ditar um menor crescimento da Zona Euro, principalmente das maiores economias: Alemanha, França e Itália. Também por essa razão, Jean-Claude Trichet admitiu, pela primeira vez em cinco anos, baixar as taxas de juro - cuja principal taxa de cedência de liquidez se encontra nos 4,25 por cento.