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G7 em versão informal
Os ministros das Finanças e os governadores dos bancos centrais dos Grupo dos Sete (G7) principais países com economias de mercado insdustrializadas posam para uma fotografia durante a reunião deste fim-de-semana no Canadá. Fotografia: Chris Wattie/Reuters.

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60 mil
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Conservas Belamar e Fábrica do Ferro são duas das suas empresas, falidas
A estranha atracção de Valentim Loureiro por empresas em dificuldades
25.07.2008 - 09h17
Por Rosa Soares, Luísa Pinto 
Hugo Calçada (arquivo)
A "Fábrica do Ferro" está insolvente, e a recuperação será difícil. Um dos maiores credores é a actinveste, detida pela família Loureiro
A declaração de interesses apresentada em Janeiro deste ano e referente aos rendimentos de 2006 colocou Valentim Loureiro na liderança de um "top" algo invulgar: pelo menos em número de participações sociais que detém em empresas, o major, presidente da Câmara de Gondomar, é o autarca que mais empresas possui e gere.

São 20 empresas declaradas, cuja atenção divide com os destinos do município, a empresa Metro do Porto e com o mundo do futebol - mantém a ligação à Liga de Clubes, depois da passagem pelo Boavista.

Mas este número de participações não faz dele um turbo-empresário. Bem pelo contrário: o universo empresarial pode ser dividido nas áreas dos têxteis e das conservas, dos electrodomésticos e do mobiliário, sendo que as mais importantes (pelo menos em termos de facturação e de funcionários) estão insolventes e em processo de recuperação (ver fichas de empresas). Das restantes ainda em actividade, e às quais o PÚBLICO conseguiu encontrar rastro, resumem-se a pequenas empresas e estabelecimentos comerciais, com cerca de cinco funcionários cada.

As maiores empresas do portefólio de Valentim Loureiro são a Companhia de Fiação e Tecidos do Ferro (CFTF), em Fafe, e a conserveira Belamar, em Vila do Conde. A entrada de Valentim Loureiro no ramo industrial, tanto na área do têxtil como no sector conserveiro, deu-se na década de 80 através, precisamente, da compra de empresas em dificuldades. Ambas foram declaradas insolventes há menos de um ano, tendo a família Loureiro apresentado um processo de recuperação para as duas. O mesmo não fez para uma terceira empresa, de menor dimensão, de venda de electrodomésticos, a Leal, Rosas & CA, que tem o respectivo processo de insolvência quase fechado.

No caso da Companhia de Fiação e Tecidos de Fafe, uma das mais importantes têxteis da região de Braga (mais conhecida por Fábrica do Ferro), registou nos últimos cinco anos 14 acções que ultrapassam os 82 mil euros de dívidas. Tendo como director geral Adelino Loureiro, irmão de Valentim, a empresa sofreu um prejuízo de 247 mil euros em 2004, passando depois a lucros de 11 mil euros e 98,6 mil euros em 2005 e 2006, respectivamente. Ao nível das receitas, aquela que foi a maior empresa da região antes do 25 de Abril, com perto de dois mil trabalhadores, desceu dos 8,7 milhões de euros de 2004 para 7,9 milhões em 2006. Com cerca de cem trabalhadores, fabrica e vende artigos ligados aos têxteis para o lar, especialmente lençóis.

A concorrência chinesa, a valorização do euro, a falta de encomendas e as dificuldades financeiras justificaram a declaração de insolvência, apresentada em Outubro último. As dívidas pendentes em tribunal referentes à "Fábrica do Ferro" ascendem aos 82 mil euros. Segundo um anúncio publicado pelo Tribunal da Fafe no "Diário da República" no final do passado mês de Abril, um dos principais credores da têxtil é simultaneamente um dos seus accionistas - a Actinveste, empresa de investimentos imobiliários e mobiliários que é detida integralmente pelos quatro filhos do major Valentim Loureiro.

Para além das acções pendentes na Fábrica do Ferro, a família Loureiro mantém as Conservas Belamar, esta com dívidas superiores aos 800 mil euros. A entrada nesta empresa fez-se também num cenário de dificuldades financeiras dos anteriores proprietários, tendo o major adquirido metade do capital da conserveira, juntamente com Francisco Assis Rodrigues Magalhães, sócio que adquiriu os restantes 50 por cento. Neste ramo, Valentim comprou ainda uma outra conserveira, que vendeu uns anos depois.

Actualmente com cerca de 100 funcionários, o processo de insolvência da Belamar apresentado no final do ano passado é fundamentado pela crise económica e a concorrência no estrangeiro, para onde se destina boa parte da produção da empresa. Entre os credores aparecem algumas empresas do universo de Valentim Loureiro, inclusive ele próprio, que serão transformadas em capital no âmbito do processo de recuperação.

Mais accionista do que gestor

Ao todo, o presidente da Câmara de Gondomar declara ter participações em vinte empresas, mas assume ocupar um lugar de gestão em apenas uma delas: é gerente da Belamar desde 1981. Valentim Loureiro declarou 120.079 euros como total de rendimentos de trabalho dependente auferido em 2006, a que se acrescem os 8363 euros relativos à pensão atribuída pela passagem pelo Exército. Declara também possuir quatro casas (duas no Porto, uma no Mindelo e outra em Vila Moura), oito lojas no Mindelo, e ser proprietário em nome individual de quatro automóveis, um restaurante (Degrau Chá) e uma casa de decoração, ambas no Porto.

A actividade empresarial começou no ramo do comércio, uma propensão que lhe vem desde os tempos do Exército. Já na reserva, foi o ramo dos electrodomésticos quem mereceu a principal aposta, através de pequenos pontos de revenda e reparação de electrodomésticos e de uma fábrica na região do Porto. Muitos se lembrarão das torradeiras e outros pequenos electrodomésticos que o então candidato à Câmara de Gondomar distribui aos populares, durante a campanha que lhe garantiu a primeira eleição. Hoje ainda mantém vários pequenos estabelecimentos comerciais no ramo dos electrodomésticos, molduras (ZenOficinas), mercearia (a "Favorita do Bolhão") e mobiliário (Industria de Móveis Irmel).

O silêncio do major

Apesar da insistência do PÚBLICO, Valentim Loureiro não esteve disponível para explicar as suas participações empresariais, nem historiar a forma como foi tomando as opções de entrada em segmentos de negócio tão distintos. Tão pouco o PÚBLICO conseguiu contactar com Jorge Loureiro, um dos três filhos que tem uma presença mais activa à frente destas empresas.

O retrato deste universo empresarial, que o PÚBLICO aqui tenta fazer, foi construído através de uma pesquisa aos resultados das empresas declaradas, tendo acabado por esbarrar em algumas situações curiosas. Entre elas o facto de o major declarar uma participação numa empresa de electrodomésticos que não regista qualquer actividade há quase 20 anos: a F.E.N - Fabrica de Electrodomésticos do Norte, sem actividade desde Outubro de 1989 e na qual o autarca tem uma quota de 35 por cento.

Uma outra situação detectada prende-se com os conhecidos interesses do major e família noutras empresas que, no entanto, não estão mencionadas na declaração apresentada ao Tribunal Constitucional. Contactado pelo PÚBLICO sobre esta questão em particular, Valentim Loureiro também não quis prestar esclarecimentos em tempo útil.

Entre as empresas não declaradas encontra-se o caso da Loureiro & João Santos (onde detém uma participação de 28 por cento) e da já referida empresa ATF - Acabamentos Têxteis de Fafe, da qual possui 44 por cento do capital social, e que está actualmente inserida na constelação de empresas associadas à Fabrica do Ferro. Existem ainda no universo das participações empresariais declaradas por Valentim algumas quotas de empresas associadas a esta têxtil: Telefafe, TexFerro, Confexfafe e Filferro.

Com A.T.M. e L.V.

Texto publicado no Suplemento de Economia





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"O Plano de Estabilidade e Crescimento e as autoridades europeias fracassaram quando foram complacentes com o seu não-cumprimento. Não agora, mas durante o 'bom tempo' económico."
Vítor Bento, jornal "Público", 8-2-2010
 

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