| David Clifford (arquivo) |
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| António Borges considera que o que Governo "tem feito é muito limitado, muito pontual" |
O PSD defende que o Boletim Económico de Verão do Banco de Portugal divulgado hoje confirma e acentua um sentimento de desalento no país, considerando que as medidas adoptadas pelo Governo não resolvem os problemas económicos.
Em conferência de imprensa, na sede do PSD, o vice-presidente do partido António Borges comentou os números do endividamento externo, que considerou assustadores. "Não podemos por isso continuar a gastar desabridamente como até aqui", sublinhou.
Instado a divulgar a posição da direcção social-democrata em relação a medidas adoptadas pelo Governo como o aumento das deduções das despesas de habitação em sede de IRS e a aplicação de uma taxa de 25 por cento sobre as reservas das empresas petrolíferas, António Borges desvalorizou a questão. "Nós não estamos muito interessados em gastar muito tempo com essa matéria. Em nossa opinião os problemas do país não se resolvem com medidas pontuais, tomadas para em certa medida consolar as pessoas. Os problemas do país são estruturais, que implicam uma mudança profunda do modelo. Estamos a trabalhar para apresentar as nossas propostas. Aquilo que o Governo tem feito é muito limitado, muito pontual", respondeu.
Sobre os números divulgados pelo Banco de Portugal, o vice-presidente do PSD considerou que vêm "confirmar ou acentuar o sentimento de desalento, de desânimo que perpassa pela nossa economia e também um sentimento de injustiça que começa a vir ao de cima".
"Ficamos muito preocupados com a paragem do investimento, mostra que a maioria das empresas continua a atravessar dificuldades muito profundas. E estamos verdadeiramente assustados com o endividamento externo, que está agora nas previsões do Banco de Portugal acima dos dez por cento do PIB por ano, com uma perspectiva de agravamento em 2009", declarou.
António Borges sublinhou que "nunca Portugal teve um endividamento tão alto todos os anos como está a ter" e disse que "a dívida externa, que se aproxima de cem por cento do PIB, traduz-se num peso fortíssimo sobre a economia que implicará uma transferência para o estrangeiro de uma parte cada vez maior daquilo que os portugueses produzem todos os anos". "Não podemos por isso continuar a gastar desabridamente como até aqui. Todo o capital que pedimos emprestado terá de ser pago", acrescentou.
Por outro lado, o vice-presidente do PSD assinalou "com satisfação que o Banco de Portugal prevê a continuação da travagem do consumo público, o que é positivo, e o facto de as exportações, embora menos bem, continuarem a crescer".