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Pneus chineses discutidos por Obama em Pequim
Um funcionário de uma fábrica de pneus na provincia de Anhui, na China, trabalha no armazem. As exportações de pneus da China para os EUA e as taxas recentemente impostas por Washington são um dos temas a debater durante a visita de Barack Obama à China. Fotografia: REUTERS/Stringer

 
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É o valor, em mil milhões de euros, que atinge o crédito incobrável no segmento dos particulares em Portugal
 

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Fabrico de ursinhos de peluche
Empresa alemã faz regressar a Portugal parte da produção que deslocou para a China
13.07.2008 - 11h37
Por Lusa 
Alexandra Beier/Reuters
A Steiff tem uma fábrica em Oleiros desde 1991
A empresa alemã Steiff, que inventou os ursinhos de peluche, fez regressar a Portugal parte da produção deslocalizada para a China, num movimento que se começa a verificar noutros sectores da economia, devido ao aumento do preço do petróleo.

O anúncio na semana passada pelo director-geral da Steiff, Martin Frechen, do abandono da China, após cinco anos de deslocalização de um quinto da produção do famoso ursinho de pelúcia, não apanhou de surpresa o gerente da fábrica da Steiff em Oleiros, Castelo Branco.

"Já tínhamos em curso desde o início do ano os trabalhos de ampliação das instalações", disse Narciso Guimarães, o responsável da unidade de Oleiros.

A decisão de aumentar a produção de 30 para 40 por cento do total em Oleiros, onde a Steiff tem uma fábrica desde 1991, implicará um aumento do número de efectivos em proporção semelhante, para um pouco mais de 150 trabalhadores, explicou Narciso Guimarães.

O regresso da produção a Portugal, segundo a Steiff, decorre da estratégia da nova direcção da empresa-mãe, de dificuldades logísticas e do aumento do preço dos transportes.

Os chineses privilegiam o preço e a quantidade, mas "há uma falta de capacidade de resposta para série mais limitadas e mais sofisticadas, onde se pretende uma resposta atempada", disse a empresa.

A Tunísia acolherá outra parte da produção abandonada na China num processo de aproximação aos mercados de destino que deverá ser concluído no final de 2009.

A proximidade geográfica, numa altura em que os custos dos transportes disparam, e a capacidade de adaptar rapidamente a produção às exigências do mercado são factores determinantes em nichos de mercados de diversos sectores, para os quais Portugal está bem posicionado.

Um desses sectores é o do calçado, disse Paulo Gonçalves, porta-voz da APICCAPS (Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos).

"Estamos perante dois modelos de negócios distintos, um chinês de baixo custo e grandes quantidades e o de Portugal, muito bem apetrechado tecnologicamente que consegue dar resposta inclusive às pequenas encomendas, em tempo útil", afirmou Paulo Gonçalves, que lembra aliás que 90 por cento das exportações portuguesas de calçado tem a Europa por destino.

Este responsável notou que "há marcas estrangeiras que numa determinada altura foram seduzidas pela China, mas que encontraram problemas, como a falta de capacidade de resposta em tempo útil. Pela sua proximidade dos principais mercados do resto da Europa, Portugal assegura uma resposta rápida", sublinhou.

Paulo Gonçalves não adiantou dados concretos, "mas ouve-se falar" de empresas nacionais que voltaram a receber encomendas de marcas que tinham tentado a Ásia, afirmou.

Para o economista João Loureiro, tal movimento está de facto a verificar-se no sector do calçado como o mostra o crescimento das exportações.

"De há dois ou três anos a esta parte, há um regresso a Portugal quando se trata de calçado de alto qualidade, onde a par de um certo grau de mecanização, a intervenção humana e uma certa tradição têm o seu papel", explicou o presidente da Faculdade de Economia do Porto.

Portugal e os outros países que perderam produção para destinos mais baratos, como a China e a Índia vêem assim agora, com o aumento do preço do petróleo, regressar a vantagem comparativa de estar perto dos mercados.

"O custo do transporte por navio é muito baixo e uma pequena parte no custo global de um produto. Mesmo com o petróleo a aumentar, representa cerca de cinco ou sete por cento do preço total", disse Pedro Abrantes, professor no Instituto de Estudos de Transporte da Universidade de Leeds, Reino Unido.

"Mas com o custo da distância sempre a aumentar as empresas têm de o fazer reflectir. Uma das consequências prováveis deste aumento é por isso a quebra do comércio global", explicou.

A tendência, segundo Pedro Abrantes, vai penalizar sobretudo os países que exportam mais e para mais longe. Os países da União Europeia, que exporta muito os outros estados-membros, poderão ver assim regressar a produção - tal como viram voltar o ursinho de peluche.
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"O 'monstro' não se controlou. Pelo contrário, parece totalmente descontrolado"
Helena Garrido, "Jornal de Negócios", 20-11-2009
 

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