| Daniel Rocha (arquivo) |
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| Fernando Pinto, presidente da TAP, tem que optimizar a operação para companhia para evitar prejuízos elevados |
Menos 60 voos, mais 20 milhões de euros. Foram estas contas que levaram a TAP a suspender frequências de médio e longo curso, já a partir de Outubro.
As rotas europeias vão ser as mais afectadas, enquanto as africanas escapam ao plano de emagrecimento. Uma medida de sobrevivência, face às previsões de prejuízos de 154 milhões de euros, em 2008.
Fernando Pinto, presidente executivo da TAP, já tinha avisado que a crise financeira que a companhia de aviação atravessa iria obrigar a um reajustamento pontual da operação, mas só ontem foram conhecidos os seus contornos. No total, vão ser eliminadas 60 frequências (51 de médio curso e nove de longo curso).
Nenhum destino será cancelado, mas algumas rotas vão sofrer cortes significativos, como é o caso de Madrid e de Barcelona com partida de Lisboa (menos sete frequências). A Europa vai ser a região mais afectada por este plano, registando uma diminuição de 51 voos semanais. Brasil, Estados Unidos e Venezuela são os outros países na lista, absorvendo as restantes nove suspensões.
Ficam de fora os voos domésticos, tal como o gestor brasileiro assegurou, no dia em que assumiu publicamente estar perante "a maior crise de sempre da indústria". África também escapa à estratégia de redução, tendo a TAP, inclusivamente, anunciado a inauguração de uma nova rota para Casablanca (Marrocos), no final de Outubro, e o reforço do destino Bissau para três frequências semanais.
A medida entra em vigor a partir de Outubro, prolongando-se até Março, com excepção para os perío-dos do Natal e do Ano Novo, dado constituírem o momento mais alto do ano na facturação da companhia. No médio curso, as paragens vão ocorrer em alturas específicas - de 3 a 30 de Novembro, de 12 de Janeiro a 15 de Fevereiro e de 2 a 28 de Março de 2009.
Cortar nos custosFonte oficial da transportadora afirmou ao PÚBLICO que a escolha das rotas teve em conta "as linhas que têm uma oferta mais ampla", de modo a "reduzir a oferta sem perder qualidade de serviço". "Os voos suspensos não estavam a mais", acrescentou, explicando que "a decisão é pontual" e deriva "de um momento específico de crise". A manutenção de todas as frequências no mercado africano advém do facto de ser "um mercado diferente, em que a oferta está ajustada às necessidades actuais e os voos são altamente rentáveis".
A suspensão de 60 frequências vai permitir uma poupança de 20 milhões de euros, de acordo com as estimativas da TAP. É nos custos variáveis, como é o caso das taxas, do handling e, sobretudo, do combustível que a companhia vai conseguir estancar parte do investimento. O facto de alguns aviões "reduzirem a taxa de utilização" vai ter implicações sobre a carga horária das tripulações, "diminuindo o trabalho extraordinário", referiu fonte oficial.
Para Inês Drummond, vice-presidente do Sindicato de Pessoal de Voo da Aviação Civil, poderá ser um sinal de alarme para os trabalhadores, pelo que pretende "discutir a situação com a TAP numa próxima reunião", afirmou. "É estranho estarem num processo de recrutamento de tripulantes para o período de Inverno e terem decidido, em simultâneo, reduzir voos", acrescentou.
A suspensão das frequências é descrita como "pontual" pela companhia de aviação. Porém, fonte oficial da empresa admitiu que "a decisão de estender por mais tempo a medida está em aberto", dependendo da recuperação financeira da TAP.