| Adriano Miranda (arquivo) |
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| Os agricultores contestam o aumento dos combustíveis e dos custos de produção |
Perto de uma centena de agricultores que participavam numa marcha lenta entre o Poceirão e Setúbal pela redução do preço do gasóleo agrícola e custos de produção foram impedidos pela polícia de levar os tractores e alfaias para o centro da cidade.
A ordem foi dada pela governadora civil, Eurídice Pereira, que informou previamente os agricultores que não poderiam levar os tractores para o centro da cidade para não prejudicarem a circulação rodoviária, tal como estabelece o Código da Estrada.
Segundo o presidente da Junta de Freguesia do Poceirão, José Silvério, os agricultores ainda ponderaram suspender a marcha e regressar ao ponto de partida, mas acabaram por seguir em direcção ao Governo Civil de Setúbal.
Contactada pela Lusa, a governadora civil disse que se limitou a dar instruções para que fosse cumprida a legalidade e para preservar a normal circulação rodoviária, salientando ainda que a Avenida Luísa Todi, onde está situado o Governo Civil, está em obras e com muitas restrições ao trânsito.
Eurídice Pereira afirmou ainda que não se opôs à iniciativa dos agricultores, apesar de não ter sido informada da marcha lenta no prazo legal de dois dias úteis e da referida informação não ter três, mas apenas um subscritor, o presidente da Junta de Freguesia do Poceirão.
O protesto foi acompanhado por um aparato policial muito superior ao que tem sido habitual noutras manifestações de agricultores do Poceirão.
Segundo João Vieira, da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), os agricultores não conseguem suportar o aumento dos combustíveis e dos custos de produção que, disse, duplicaram ou triplicaram nos últimos meses.
"Os adubos e os fitofármacos estão cada vez mais caros e os aumentos dos produtos agrícolas para o consumidor não reflectem qualquer melhoria para os agricultores. São devidos à especulação da indústria agro-alimentar e dos grandes distribuidores", acrescentou João Vieira.
De acordo com o representante da CNA, o subsídio do gasóleo mantém nos 37 cêntimos por litro há vários anos, apesar dos sucessivos aumentos dos combustíveis.
Ainda de acordo com João Vieira, os agricultores também não determinam o preço dos produtos agrícolas, que são muitas vezes impostos pelas cadeias de distribuição.
Para além do protesto contra o aumento dos custos de produção e do gasóleo, os agricultores do Poceirão contestam também o facto de lhes ter sido retirado o estatuto de freguesia rural, o que não lhes permite beneficiar de alguns apoios ao desenvolvimento rural.