| Paulo Pimenta |
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| O protesto dos camionistas foi decidido sábado numa reunião de transportadores, na Batalha |
O protesto de hoje dos camionistas não tem recebido o apoio generalizado da classe e muitos dos veículos pesados são obrigados a parar junto às bermas das estradas e no interior das empresas contra a vontade dos seus motoristas.
Ao longo do dia, a SIC Notícias e a Lusa têm reportado situações de alguma violência contra os motoristas que não pretendem aderir ao protesto e parar os seus veículos, em sinal de apoio contra o agravamento do preço dos combustíveis. Estes condutores sustentam que têm medo em prosseguir viagem e, no caminho, serem apedrejados pelos colegas que se encontram nas bermas de muitas estradas nacionais.
Um pesado de mercadorias espanhol conduzido por um motorista português foi hoje obrigado a parar num piquete de greve instalado junto à zona industrial da Figueira da Foz depois de o condutor ter sido ameaçado.
"Vai para trás, é melhor para ti e para o carro" ameaçou um dos elementos do piquete, dirigindo-se ao motorista do camião espanhol que tentava sair da zona industrial, junto à EN 109, minutos depois de parar ali e de ter sido "desviado" pelos contestatários.
Ao lado do pesado um homem que acompanhava o piquete, armado com uma navalha, deslocou-se à lateral do camião e ameaçou rasgar a lona do pesado. "Rasgo isto tudo", gritou.
Ainda na EN109, mas na zona de Leiria junto ao ao cruzamento com o IC2, pelo menos dois pesados de mercadorias foram apedrejados por desconhecidos, avança a Lusa.
No Porto, protesto dos transportadores não está a afectar nenhuma das principais vias de circulação da região do Porto, onde o trânsito decorre "sem quaisquer problemas", disse à Lusa fonte da PSP.
De acordo com a mesma fonte, até às 09h30 não há registo de concentração de viaturas, tentativas de bloqueio do trânsito ou quaisquer incidentes.
No Porto de Leixões e respectivos acessos, onde se admitia que pudesse haver dificuldades na circulação de pesados, a situação está normal, segundo fonte da Capitania.
O protesto dos camionistas foi decidido sábado numa reunião de transportadores, na Batalha, à margem da Associação Nacional dos Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), cuja direcção rejeitou a paralisação defendida pela maioria dos participantes no plenário.
Camionistas prometem parar até respostas do GovernoParar até que o Governo ceda às reivindicações das empresas de transportes de mercadorias é a frase mais proferida pelos cerca dos 100 camionistas, concentrados hoje em Porto Alto, Benavente, alguns dos quais desde as 00h00 de hoje.
João Cardoso, um dos elementos que organiza a paralisação, disse que os camionistas não irão desmobilizar até ao meio-dia de quarta-feira, embora se for necessário fiquem "mais tempo até que o Governo ceda as reivindicações e ajude para o sector de camionagem".
"Não vamos incendiar camiões nem pontes como os espanhóis mas temos que vencer esta luta", disse, sublinhando que "entupir completamente Lisboa e Porto" está nos horizontes dos camionistas, não precisando porém em que data isso poderá acontecer.
Na "recta do Cabo", uma escassa meia dúzia de camiões parados à beira da estrada e outros tantos motoristas não deixa antever a concentração na primeira rotunda do Porto Alto, onde se agregam muitos camionistas e elementos de piquetes de paralisação.
Camionistas receiam passar a fronteiraVários camionistas portugueses estão parados em Vilar Formoso e disseram hoje à Lusa que só avançam para Espanha quando tiverem garantias de fazer a viagem em "segurança".
Devido à greve dos camionistas espanhóis, os motoristas portugueses estão a ser aconselhados pelas autoridades espanholas a permanecerem em território nacional, para evitar retaliações e bloqueios no país vizinho.
"A polícia espanhola não nos aconselha a seguirmos para a frente porque poderá haver problemas em Salamanca e a Estrada Nacional 620 está cortada", disse à Lusa o camionista Luís Fonseca, que está parado no Parque TIR de Vilar Formoso desde as 09h30 de hoje.
O motorista de Oliveira de Azeméis, que tem como destino Dortmund, Alemanha, para onde leva um carregamento de canoas para a Federação Húngara de Canoagem, acrescentou que o seu chefe também o avisou "para não avançar".
Admite que a paragem forçada, que não sabe até quando poderá durar, representa "muitos contratempos a nível monetário", no entanto, recusa entrar em Espanha porque a segurança está em primeiro lugar.