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| Os pescadores destruíram ontem cerca de uma tonelado de peixe armazenado na lota de Matosinhos |
Armadores e pescadores da região Norte decidiram hoje, em plenário, mobilizar piquetes para travar a eventual entrada de pescado espanhol nas lotas de Matosinhos, Póvoa de Varzim e Vila do Conde. Na Figueira da Foz e Peniche, os piquetes foram desmobilizados, mas vai ser mantido o mesmo tipo de vigilância.
Em declarações à Lusa, José Luís Silva, presidente da Associação dos Armadores de Pesca do Norte (AAPN), disse não acreditar que os pescadores espanhóis tenham capacidade para abastecer o mercado português. “Mas se vierem camiões espanhóis com peixe, a gente não os deixa entrar”, afirmou.
Ontem, os pescadores de Matosinhos impediram que comerciantes recolhessem peixe que já tinham adquirido, alegando que o pescado entrou no lota depois do início da greve - uma acusação desmentida pelos vendedores. Depois de horas de tensão, os pescadores entraram na lota e destruíram uma tonelada de peixe que aí se encontrava armazenado, face à recusa dos comerciantes em aceitar que fosse doado a instituições de solidariedade social.
No plenário desta tarde, realizado na Póvoa de Varzim, os pescadores e os donos das embarcações reafirmaram a intenção de manter por tempo indeterminado a greve contra o aumento dos combustíveis, insistindo em exigir o aumento dos apoios ao sector.
José Luís Silva disse que o sector está consciente dos riscos desta posição: Se a paragem se prolongar para além de 15 a 20 dias, “o pessoal vai todo para o Fundo de Desemprego”.
O representante aguarda, por isso, com expectativa a reunião que amanhã vai juntar em Madrid representantes dos Governos de Espanha, Portugal, Itália e França para discutir uma saída para a crise. “Uma boa notícia era o anúncio da baixa do preço dos combustíveis”, afirmou.
Figueira e Peniche mantêm vigilânciaMais a sul, os pescadores da Figueira da Foz decidiram levantar o piquete junto à lota, por considerarem que existe “respeito de parte a parte”. “Ninguém está a tentar furar a greve”, afirmou António Lé, da Associação de Armadores do Centro Litoral.
O representante diz que os comerciantes de peixe “sabem que a culpa não é de quem pesca”, pois estes “nada podem fazer para este aumento descontrolado das despesas”, e diz acreditar que a solidariedade “nada podem fazer para este aumento descontrolado das despesas”.
Também em Peniche, o piquete de greve foi desmobilizado, mantendo-se apenas uma “vigilância à distância” do porto, explicou Humberto Jorge, da Associação de Armadores de Peniche. “Aqui, conhecemos toda a gente e estamos todos juntos”, afirmou, lembrando que por não “não ter uma venda de grandes dimensões” o porto local “não é propício a situações de tensão”.