| Virgílio Rodrigues (arquivo) |
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| Cavaco relembra que neste momento este tema "é uma preocupação quase generalizada dos países europeus" |
O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, reiterou hoje a sua preocupação em relação aos elevados rendimentos "desproporcionados" auferidos por altos dirigentes de empresas face aos salários médios dos seus trabalhadores.
O Chefe de Estado, que falava à margem do congresso internacional de Inovação Social, recordou que, no seu discurso do 25 de Abril, chamou a atenção para as desigualdades sociais que se verificam em Portugal e que lançou o roteiro sobre a exclusão social para mobilizar a sociedade e os poderes públicos para o combate a esse fenómeno.
"Voltei novamente ao problema das desigualdades na minha mensagem de Ano Novo", afirmou, acrescentando que falou sobre a "desproporção entre rendimentos de altos dirigentes de empresas face aos salários dos trabalhadores" e que foi objecto de algumas críticas.
"Neste momento este tema é uma preocupação quase generalizada dos países europeus, como disse o Presidente da Alemanha, porque as grandes desproporções entre rendimentos dos gestores e dos seus trabalhadores põem em causa a paz e a coesão social", declarou. "Este problema não diz apenas respeito ao mercado como alguns pretenderam aqui insistir no nosso país", afirmou.
Para Cavaco Silva, sendo a coesão social uma preocupação dos Estados, então os governos devem tudo fazer para evitar essas situações de crispação social.
"Anteontem, o presidente do Banco Central Europeu falou de remunerações escandalosas de alguns gestores na Europa e pediu auto-contenção", disse, acrescentando que "outros têm vindo a defender tributações penalizadoras dos prémios dos gestores".