| Sérgio Azenha (arquivo) |
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| O presidente da ANAREC falava depois de a Galp ter subido os preços dos combustíveis nos seus postos de abastecimento |
O presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC) apelou hoje ao Presidente da República para que "ponha cobro" aos aumentos do preço dos produtos petrolíferos, sugerindo que Cavaco Silva chame e ouça "pessoas chave" como membros do Governo e o presidente da Galp.
"Quando o ministro das Finanças diz que não baixa o Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) e o primeiro-ministro diz que não baixa o ISP porque é injusto em relação aos portugueses que não têm carro, acho que a única pessoa a que todos, os consumidores de combustíveis, podemos recorrer é o Presidente da República", defendeu Augusto Cymbron em declarações à Lusa.
O presidente da ANAREC falava depois de a Galp ter subido (às 00h00 de hoje) os preços dos combustíveis nos seus postos de abastecimento, aumentando o custo do litro do gasóleo em três cêntimos e o da gasolina em dois cêntimos. O litro da gasolina sem chumbo 95 octanas custa agora 1,41 euros, enquanto o preço da gasolina sem chumbo 98 passa a 1,63 euros e o do gasóleo subiu para 1,41 euros.
"Se o Presidente da República já está sensibilizado para o problema e, como todos nós, ouviu o secretário-geral da OPEP a dizer que ‘o negócio está maluco’, que não há falta de petróleo e que não se justifica preços destes - que são fruto da desvalorização do dólar e da especulação - nós temos que pedir a alguém com um estatuto moral reconhecido pelos portugueses que ponha cobro a isto", continuou o responsável da ANAREC.
De acordo com Augusto Cymbron, Cavaco Silva "poderia chamar algumas ‘pessoas chave’ e pedir bom senso", tais como "o ministro das Finanças, o ministro da Economia, o primeiro-ministro e o presidente da petrolífera nacional [a GALP]".
"[Cavaco Silva] poderia perguntar-lhes se o presidente da OPEP tem razão, poderia perguntar-lhes a quanto as petrolíferas estão a comprar produto este ano aos países exportadores de petróleo e saber por que é que têm de convencer as pessoas que o petróleo está a 130 euros (o barril) quando foi afirmado por um professor de Economia que as petrolíferas tem contratos firmados para o ano de 2009 a 54 euros/barril", afirmou também.
"Ou seja, para 2009 o petróleo custará às petrolíferas 84 dólares [4 euros] - e se houver maior desvalorização do dólar isso representará ainda menos euros. Porque é que eles estão a usar preços anunciados na comunicação social mas que são para bens futuros, para 2012, 2013 e 2014", questionou.