| Nuno Ferreira Santos |
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| Coelho prepara-se para deixar a vida partidária e entrar para o maior grupo de construção do país |
É o fim da carreira política e partidária de Jorge Coelho. O ex-dirigente socialista está a preparar-se para entrar a fundo no mundo empresarial, fazendo-o desde logo na presidência executiva do maior grupo de construção civil de Portugal, o grupo Mota-Engil.
A renúncia aos lugares que até agora ocupava o ex-ministro e ex-dirigente socialista já é oficial, mas a intenção de assumir a presidência de um novo órgão executivo que a empresa nortenha criou na passada sexta-feira ainda não.
Para já, é apenas “oficioso”: Jorge Coelho está na Mota-Engil apenas como consultor contratado para delinear um novo plano estratégico para a empresa, a vigorar a partir de 2009 e durante cinco anos, pelo que nem o presidente da Mota-Engil, nem Jorge Coelho confirmam ou desmentem as notícias ontem avançadas.
Ao PÚBLICO, o presidente da Mota-Engil, António Mota, limitou-se a afirmar que recebeu com “apreço e agrado” a notícia de que Jorge Coelho se afastava dos programas de televisão (como A Quadratura do Círculo, na SIC Notícias, onde será substituído por António Costa) para se dedicar em exclusivo à sua vida profissional.
E a contratação da empresa de consultoria criada por Coelho para a Mota-Engil há pouco mais de um mês é o desafio profissional mais recente. “Se isso significa que o dr. Jorge Coelho vai ter ainda mais tempo para trabalhar nos projectos da Mota-Engil, só posso ficar agradado”, afirmou Mota, admitindo em seguida que, “pessoalmente, era favorável a uma participação muito activa do dr. Jorge Coelho” na vida da empresa.
Jorge Coelho deverá apresentar até ao fim deste mês as linhas gerais do plano estratégico e só depois disso, “e mediante as propostas que venham a ser apresentadas”, António Mota admite que possa ter que vir a ser convocada uma nova assembleia geral para que os accionistas aprovem essas propostas. E nessa altura o proponente desse plano estratégico quererá responsabilizar-se pessoalmente pela sua aplicação, assumindo a presidência executiva da empresa. Serão mudanças de vulto, a ocorrer pouco tempo depois da última assembleia geral da empresa, que decorreu na última sexta-feira, altura em que o grupo nortenho criou pela primeira vez a figura da comissão executiva.
A Mota-Engil está a apostar com grande intensidade nos mercados internacionais, não querendo pôr em perigo a liderança do mercado nacional, onde está em marcha uma grande vaga de obras públicas (novo aeroporto de Lisboa, TGV, barragens, concessões rodoviárias).
E a chefia da comissão executiva vai ser entregue a um homem que já teve responsabilidades governativas na área (foi ministro do Equipamento Social, tendo sido seu secretário de Estado das Obras Públicas Luís Parreirão, um dos actuais administradores da Mota-Engil).