| Vivek Prakash/Reuters (arquivo) |
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| O número de contratos futuros de petróleo subiu 364 por cento enquanto o consumo real subiu oito por cento |
O mundo do petróleo é hoje dominado pelo mercado financeiro e o discurso político sobre as alterações climáticas falha quanto aos seus verdadeiros responsáveis. Estas foram duas ideias defendidas ontem no debate sobre "Energia: Geoeconomia, Sustentabilidade e Globalização", organizado pelo Departamento de Prospectiva e Planeamento (DPP).
Desde o final de 2003, o número de contratos futuros de petróleo subiu 364 por cento enquanto o consumo real subiu oito por cento, afirma o presidente executivo da Partex, António Costa e Silva, para explicar como "o sistema financeiro se apoderou do mercado petrolífero" e determina hoje o seu preço. "As transacções físicas de petróleo são uma pequena parte, há um peso do mundo virtual sobre o real que é extraordinário", sublinha.
Num momento em que se vivem fortes tensões geopolíticas, o gestor da petrolífera da Fundação Gulbekian e com interesses no Médio Oriente considera que uma das "grandes preocupações", sobretudo para os EUA, o maior mercado consumidor, é o aumento de exportações de petróleo do Golfo Pérsico para a Ásia em detrimento do mundo ocidental. Adiciona o domínio crescente das grandes petrolíferas estatais, já detentoras de 80 por cento das reservas mundiais.
Com a crise financeira instalada nos EUA, a gerar também uma crise de confiança, com os petrodólares a refugiarem-se em fundos soberanos, em vez de em dívida do Tesouro norte-americano, concorda também que o modelo em que o planeta vive é "insustentável": consome diariamente 85 milhões de barris de petróleo (Portugal consome 300 mil), 240 mil milhões de pés cúbicos de gás natural e 14 milhões de toneladas de carvão. Por isso, diz olhar para as projecções da Agência Internacional de Energia para 2030 - consumo de 120 milhões de barris - como "a música do Titanic antes de chocar com o iceberg".
O investigador Delgado Domingos alerta, por outro lado, para a "inconsistência científica" no discurso oficial das Nações Unidas e dos políticos sobre alterações climáticas. Considera que uma das grandes componentes do aquecimento global do planeta vem do crescimento da população e das alterações do uso do solo, questão omissa nos documentos públicos, que são "sumários para políticos" (summary for policy makers, na versão original dos documentos do Painel Intergovernalmental). No entanto, sublinha, estes foram feitos a partir de relatórios técnicos onde as questões eram referidas.