| Enric Vives-Rubio (arquivo) |
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| Se não houver uma normalização dos mercados financeiros, os bancos terão de subir o custo do crédito, alerta Constâncio |
Os portugueses vão pagar os empréstimos à banca mais caros dentro de pouco tempo, na sequência da crise do crédito hipotecário de alto risco ("subprime") nos EUA e da falta de liquidez nos mercados monetários, disse hoje governador do Banco de Portugal.
Em declarações aos jornalistas no Fórum do "Diário Económico" sobre Banca e Mercados de Capitais, em Lisboa, Vítor Constâncio disse que "o custo de financiamento para os bancos vai aumentar".
"Até agora, os bancos não reflectiram isso concretamente, mas a continuação desta situação, se não houver uma normalização nos mercados internacionais, terá reflexos no preço a que os bancos oferecem os serviços aos seus clientes", acrescentou o governador.
As declarações de Constâncio estão em sintonia com os vários presidentes de bancos portugueses, que apontaram para o aumento do custo dos empréstimos, ao mesmo tempo que os depósitos também vão ver a sua remuneração subir.
Os clientes da banca comercial, em média, "estão melhores do que o que estavam [antes da crise], porque estão a receber mais pelos seus depósitos e a pagar menos juros", afirmou o presidente executivo do BPI, Fernando Ulrich.
"O custo está inteiramente a ser suportado pelos bancos que estão sozinhos a absorver todo o impacto", sublinhou Ulrich.
Em declarações aos jornalistas, o presidente do BCP também comentou o custo do crédito: com o aumento da volatilidade dos mercados financeiros e a subida do custo do risco para os bancos, o custo de financiamento a médio e longo prazo das instituições aumentou "de forma considerável".