| Daniel Rocha (arquivo) |
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| Teixiera dos Santos afirma que, objectivamente, não houve recessão na economia portuguesa |
O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, qualificou hoje, em Bruxelas, de “gratuita”, “alarmista” e “sem fundamentação técnica” a afirmação de Miguel Cadilhe de que Portugal “está em recessão económica grave”.
“Penso que é uma afirmação gratuita, não fundamentada e, de todo em todo, não tem nada a ver com a realidade da nossa economia”, disse Teixeira dos Santos, à margem de uma reunião dos ministros das Finanças da União Europeia.
O ministro é de opinião de que se trata de uma “afirmação alarmista que em nada ajuda a transmitir uma imagem que deve ser objectiva da situação”, e não acha que essa apreciação seja “justa”.
O economista Miguel Cadilhe, ex-ministro das Finanças, disse ontem, em Braga, que Portugal “está em recessão económica grave”, situação que – afirma – começou em 1999 e se aprofundou a partir de 2003. Afirma que “o crescimento económico português tem-se mantido decepcionante” e defendeu mesmo que o país deveria solicitar à Comissão Europeia “medidas de protecção especial” para a sua economia, as cláusulas de excepção previstas no Pacto de Estabilidade e Crescimento.
Para Miguel Cadilhe, “os políticos não gostam que se diga que há uma recessão grave e os eurocratas também não, mas a verdade é que uma economia que teve crescimento negativo em 2003 e mantém vários indicadores negativos desde então está nessa situação técnica”.
Crescimento próximo de dois por cento do PIB“A insatisfação quanto ao nível de crescimento não deve autorizar que se fale em recessão, porque, objectivamente, não houve recessão na economia portuguesa”, contrapôs Teixeira dos Santos.
O ministro insistiu que, tendo a economia portuguesa crescido nos últimos trimestres 1,8 a 2,0 por cento do PIB, “vir dizer que está numa recessão grave é algo que não tem qualquer fundamentação técnica”.
Teixeira dos Santos recusou liminarmente as sugestões de Cadilhe sobre a forma de “cura” para a economia portuguesa: “Não seria propriamente o médico a que eu recorreria”, disse.
O ministro acha que Miguel Cadilhe tem uma visão “muito pessimista” sobre a realidade portuguesa, que é “um pouco histórica” e “contrasta com a opinião da generalidade dos economistas e com todos os critérios técnicos aceites pela profissão na caracterização daquilo que é uma recessão”.