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Presidente da Sonaecom afasta, para já, fusão com a Zon Multimédia
Televisão digital terrestre abre novo conflito entre a Sonaecom e a Portugal Telecom
04.03.2008 - 09h33
Por Ana Brito
O lançamento do concurso da televisão digital terrestre (TDT) veio abrir uma nova frente na "luta" entre a Sonaecom e a Portugal Telecom (PT), depois de a operadora incumbente ter rejeitado dar formalmente à empresa presidida por Ângelo Paupério condições de acesso à sua rede de transmissão do sinal televisivo (TDP).
O administrador executivo da Sonaecom (proprietária do PÚBLICO), Luís Reis, explicou que a empresa pediu no ano passado à PT que lhe facultasse "as condições económicas de acesso à rede" para a elaboração de um plano de negócio no âmbito do concurso da TDT. "Perante a recusa da PT, enviámos uma carta à Anacom a dar conta do nosso pedido e da resposta deles e a pedir ao regulador que interviesse", disse Luís Reis em declarações ao PÚBLICO.
A Sonaecom, que desde o início foi contra a participação da PT no concurso da TDT, pretende agora que a Anacom "obrigue a PT a cumprir a lei e lhe imponha a explicitação de uma oferta grossista de acesso à rede de transmissão do sinal televisivo", que hoje ainda não existe. Frisando que o impedimento de acesso à TDP "não condiciona" uma eventual participação da Sonaecom no concurso da TDT, Luís Reis sustentou, contudo, que se a PT não abrir esta plataforma aos demais operadores partirá para o concurso numa posição privilegiada. Se não for criada a oferta regulada de acesso à rede, a PT "terá uma vantagem competitiva para se apresentar no concurso, principalmente no que diz respeito a critérios tão importantes como a rapidez e a abrangência", reforçou o administrador da Sonaecom.
Fonte oficial da Anacom adiantou que o regulador "tem sido posto ao corrente dos contactos entre as duas empresas e está acompanhar o processo". A PT escusou-se a comentar.
As declarações de Luís Reis foram feitas à margem da apresentação dos resultados de 2007, ano em que a Sonaecom registou os melhores resultados líquidos de sempre, com um lucro de 36,8 milhões de euros, que compara com um prejuízo de 9,7 milhões de euros em 2006. Em conferência de imprensa, o presidente da empresa, Ângelo Paupério, referiu-se a 2007 "como um ano de forte crescimento", em que se registou o maior crescimento de receitas e de clientes desde 2001. O volume de negócios subiu 8,6 por cento para um valor recorde de 892,7 milhões de euros, enquanto o EBITDA do grupo melhorou 3,3 por cento para 162 milhões de euros, pese o estreitamento da margem de EBITDA para 18,1 por cento, devido ao impacto negativo de 14,2 milhões de euros das receitas de roaming-in e das tarifas de terminação móvel.
A Sonaecom investiu 235,8 milhões de euros no ano passado e mantém "uma estrutura de balanço conservadora, apropriada para aproveitar oportunidades que apareçam", explicou Paupério. Questionado sobre o interesse numa fusão com a ZON Multimédia, Paupério adiantou que essa não é actualmente uma preocupação, embora possa vir a "fazer sentido no futuro". "Não estamos preocupados com isso, nem estamos a trabalhar activamente nisso", garantiu. "A resposta que nos foi dada [pela Zon Multimédia] não é de aproximação e sabemos interpretar esses sinais", disse o presidente da Sonaecom, referindo-se a um contacto anterior com a empresa dona da TV Cabo.
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