|
Telecomunicações
PT critica posição dominante da Zon e pede intervenção do regulador
28.02.2008 - 19h21
Por Lusa
O presidente da Portugal Telecom (PT) criticou a posição dominante da ex-participada Zon Multimédia no negócio de televisão por subscrição e pediu a intervenção do regulador. Na conferência de imprensa dos resultados de 2007, Henrique Granadeiro defendeu a desregulação do mercado, para poder concorrer com a sua antiga subsidiária PT Multimédia, agora denominada Zon Multimédia.
"Somos pela desregulação, com armas iguais e à luz da igualdade de condições e redes próprias", defendeu Granadeiro.
O presidente da PT acusou, também, os reguladores de mercado de manterem pressão sobre a operadora, por esta ter uma posição dominante na rede fixa, quando o mercado mudou radicalmente com a separação (spin-off) da PT Multimédia.
"Tudo mudou no sector e, impavidamente, a regulação não", acusa Granadeiro.
"A assimetria é profundamente injusta e penalizadora da PT. Eu prefiro a desregulação e, sobretudo, a segmentação geográfica, porque há zonas em que já competimos livremente. Penso que estão já criadas as condições para que isso aconteça", defendeu.
Henrique Granadeiro lembrou que a liberalização no sector é uma orientação da União Europeia que já foi seguida, por exemplo, no mercado espanhol.
"Sigamos as melhores práticas", frisou o presidente da PT.
Na conferência, Granadeiro afirmou que o spin-off foi "um facto histórico" na liberalização do sector das telecomunicações e reclamou o mérito desta situação para a PT.
"[A PT] fez a maior operação de liberalização do sector em Portugal e nós reclamamos o mérito desse facto", afirmou.
O vice-presidente da comissão executiva da PT, Zeinal Bava, também presente na conferência, sublinhou que a PT está a entrar, agora, no mercado da subscrição com uma "desvantagem competitiva" em relação à Zon, porque esta controla 80 por cento do mercado e tem melhores condições no acesso a conteúdos diferenciadores.
"A Anacom tem de estar atenta", afirmou.
Mesmo assim, Zeinal Bava garante que vai ter uma proposta de televisão por subscrição competitiva e "com conteúdos diversificados".
Além da actual plataforma de distribuição através da rede fixa (IPTV), Bava conta com a plataforma de distribuição por satélite para aumentar a penetração do Meo no mercado.
"Trata-se de um produto apelativo e estamos preparados para o massificar a partir do terceiro/quarto trimestre do ano", acrescentou.
Além disso, está a encarar a possibilidade de concorrer à Televisão Digital Terrestre (TDT), que considera uma plataforma complementar às suas, pedindo que os concursos sejam vistos de "forma criteriosa".
"Há dois factores condicionantes na TDT: a interoperabilidade das caixas e o acesso mais razoável aos conteúdos", disse.
Zeinal Bava, a oferta de televisão por subscrição por satélite da operadora deverá arrancar antes mesmo do Verão, depois de em 2007 a PT ter investido 43 milhões de euros no aluguer de capacidade para esta oferta.
"O que posso dizer é que, ao contrário da TV Cabo, a oferta da PT vai ser em alta-definição", avançou o vice-presidente, referindo que para um cliente que deseje mudar da oferta da Zon para a futura oferta da Portugal Telecom apenas será necessário mudar a caixa (box) da TV.
|