| Nuno Ferreira Santos (arquivo) |
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| Viegas reafirmou que a construção de uma terceira ponte rodoviária é "inevitável", mesmo sem o novo aeroporto na Margem Sul, |
José Manuel Viegas, professor do Instituto Superior Técnico e co-autor do estudo da Confederação da Indústria Portuguesa, reforçou hoje a defesa da construção de uma nova ponte ferroviária sobre o Tejo entre o Beato e o Montijo, criticando a posição assumida por Carlos Fernandes, administrador da Rede Ferroviária de Alta Velocidade (RAVE), segundo a qual uma travessia entre Chelas e o Barreiro sairia mil milhões de euros mais barata ao Estado.
Durante o seminário sobre "A nova travessia do Tejo", organizado pela Ordem dos Engenheiros, José Manuel Viegas não conteve as críticas à RAVE. “Não vale a pena protestar, porque o que estamos a ver aqui é um embuste. Se o Governo der cobertura a este comportamento de Carlos Fernandes, considero que tudo o que se está a passar aqui é um embuste”, sustentou, citado pela TSF.
O professor do Instituto Superior Técnico pede contenção e transparência nesta questão, acusando a RAVE de utilizar o seminário de hoje para legitimar "o exercício de plebiscitação de uma decisão que já está tomada".
O especialista referia-se ao facto do administrador da RAVE, Carlos Fernandes, ter usado a sua intervenção para atacar o trabalho que desenvolveu para a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), sobre o novo aeroporto. Para o professor do Instituto Superior Técnico, a proposta da CIP, que demorou apenas três meses a ser elaborada, "não poder ser comparada de forma séria com a opção do Governo, que tem oito anos de estudo".
Viegas reafirmou depois que a construção de uma terceira ponte rodoviária é "inevitável", mesmo sem o novo aeroporto na Margem Sul, uma vez que a Ponte 25 de Abril já está esgotada e a Ponte Vasco da Gama já tem níveis de tráfego superiores às previsões.
De acordo com o especialista em transportes, deve ser construída uma ligação exclusivamente rodoviária entre Algés e a Trafaria, uma opção que permite descongestionar a Ponte 25 de Abril e melhorar as ligações das populações residentes em Oeiras, Cascais e Lisboa Poente. Esta travessia, que pode ser construída em ponte ou em túnel, deve ser complementada com outra travessia, esta ferroviária, a construir entre o Beato e o Montijo, disse o especialista, sublinhando que a sua proposta inicial também poderá permitir uma solução rodoviária.
José Manuel Viegas justificou esta opção afirmando que a construção da nova travessia no eixo Chelas-Barreiro, defendida pelo Governo, tem maior impacto visual e impõe restrições de manobra e estacionamento de embarcações de grande porte na zona do Mar da Palha.
Além das duas soluções que defendeu hoje, considerou também que "pode valer a pena estudar uma solução mista, isto é, uma solução que se baseia na construção de um túnel do lado do Montijo e de uma ponte do lado de Lisboa, separadas a meio por uma ilha artificial.
O professor do Técnico especialista em transportes afirmou que o prazo de 45 dias estabelecido pelo Governo para o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) analisar comparativamente as diversas opções existentes para a nova travessia do Tejo é curto, defendendo o seu alargamento para 90 dias.
Engenheiros avançam propostas sem garantia de estudo do LNECAlém das propostas já tornadas públicas nos últimos meses, durante o seminário três engenheiros apresentaram outras localizações para a terceira travessia sobre o Tejo, mas o LNEC já garantiu que só tem mandato para estudar os projectos apresentados pelo Governo e pela CIP. Só uma das três propostas defende o corredor pretendido pelo Governo, entre Chelas e o Barreiro.
Pompeu dos Santos, o primeiro a apresentar a sua proposta, pretende a construção de uma nova ponte, exactamente entre Chelas e o Barreiro, "em modo triplo", destinada a servir a rede ferroviária convencional, a alta velocidade ferroviária (TGV) e o transporte rodoviário. Esta proposta, segundo o seu autor, custaria mais 50 por cento do que uma ponte destinada, apenas, a um meio, mas não foram adiantados valores. Pompeu dos Santos propõe transformar o viaduto do vale de Chelas na estação para a rede ferroviária de alta velocidade e que seja construído um túnel por baixo do bairro da Madredeus.
A segunda proposta apresentada é da responsabilidade do especialista em engenharia de aeroportos José Lopes e defende a construção de duas travessias, sendo uma só rodoviária (entre Algés e a Trafaria) e outra só ferroviária (entre Chelas e Montijo). José Lopes quer que a estação central do TGV seja construída nas Olaias, porque "permite chegar mais rapidamente ao centro de Lisboa", apesar de obrigar à construção de mais quilómetros de via.Nesta proposta, a ponte entre Chelas e o Montijo teria uma ligação ao novo aeroporto de Lisboa, em Alcochete.
A última solução apresentada, da responsabilidade de Luís Cabral da Silva, prevê a travessia ferroviária em túnel, entre Alverca e a Margem Sul, num local não especificado. Esta proposta assenta num "traçado de efeito múltiplo", que permite servir o novo aeroporto e, também, as populações do Pinhal Novo, Montijo e Setúbal, segundo o seu autor, que justificou a opção pelo túnel com a proximidade da pista de aviação de Alverca e de duas zonas de paisagem protegida no estuário do Tejo.
O túnel, com uma extensão de três a dez quilómetros, seria depositado no leito do rio, depois de construído, em segmentos, à superfície. Deste modo, a estação central do TGV, segundo Cabral da Silva, ficaria localizada na actual estação do Oriente, enquanto a estação de Braço de Prata seria destinada a operações de limpeza e manutenção dos comboios.