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Pneus chineses discutidos por Obama em Pequim
Um funcionário de uma fábrica de pneus na provincia de Anhui, na China, trabalha no armazem. As exportações de pneus da China para os EUA e as taxas recentemente impostas por Washington são um dos temas a debater durante a visita de Barack Obama à China. Fotografia: REUTERS/Stringer

 
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É o valor, em mil milhões de euros, que atinge o crédito incobrável no segmento dos particulares em Portugal
 

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Presidente gaulês aproveitou para enviar recados à Comissão Europeia e BCE
Sarkozy assume proteccionismo para a indústria francesa
06.02.2008 - 09h05
Por Carlos Cipriano La Rochelle
Philippe Wojazer/Reuters (arquivo)
Sarkozy diz que não se governa deixando empresas fechar
Nicolas Sarkozy quer recuperar o domínio industrial da França e não esconde que está disposto a "meter dinheiro do Estado" para o conseguir, porque é preferível gastá-lo em actividades produtivas que mantenham e criem postos de trabalho do que, a posteriori, em políticas sociais destinadas a colmatar as consequências do desemprego.

"Não vejo qual o problema de o Estado ajudar as empresas do país. Vou interferir, quando achar que vale a pena. Não é a deixar que as empresas fechem que se governa." Esta foi a tese defendida pelo Presidente da República francês num discurso, surpreendente e politicamente pouco correcto, na inauguração do AGV, a quarta geração do TGV (comboio de alta velocidade), que teve lugar ontem na fábrica da Alstom em La Rochelle, França.

Nicolas Sarkozy disse que não se arrependia de ter "renacionalizado parcialmente" aquela multinacional da área dos transportes e da energia, em 2004, quando a empresa estava à beira da falência e ele era, então, ministro das Finanças de Jacques Chirac. "Foram necessários muitos esforços para convencer a Comissão Europeia a ter uma abordagem pragmática e equilibrada a este assunto", disse, sublinhando que "um ministro da França e um Presidente da República devem esforçar-se pelo desenvolvimento industrial do seu país". Sarko acrescentou: "Não podemos aceitar que a Comissão Europeia, em dado momento, quisesse demonstrar que a solução da Alstom era a sua fusão com a Siemens, porque tal não seria uma fusão, mas sim o fim da própria Alstom."

Estado francês interveio

A solução encontrada passou pela compra, por parte do Estado francês, de 20 por cento do capital da empresa, que seria vendida dois anos depois (com mais-valias) à Bouygues, uma grande construtora de uma conhecida família francesa, que passou a ser dominante na Alstom. "É preferível ter uma grande indústria de referência nas mãos de uma conhecida empresa do que num fundo de pensões do qual não se conhece nada. É preciso reconciliar os franceses com o capitalismo familiar e o capitalismo empreendedor." É que, disse com particular ênfase, Sarkozy não quer em França especuladores, mas sim empreendedores, referindo-se, explicitamente, à crise no sector imobiliário que está a acontecer em Espanha.

Voltando-se para o TGV - que é o produto mais conhecido da Alstom e que em breve será exportado para Marrocos e para a Argentina -, Sarkozy lamentou que tal não possa acontecer noutros países e foi explícito no ataque à Bombardier: "A França não receia a concorrência, mas não aceita que um concorrente venha aqui disputar o mercado, mas mantenha fechado o seu. Era bom que a Alstom e a Bombardier pudessem concorrer no Canadá [país de origem da construtora de comboios e aviões]."

O BCE também não escapa às críticas de um Presidente da República que se desviou inúmeras vezes do seu discurso escrito. "Há uma situação inquietante - a indústria não pode ser penalizada por um euro tão forte, com uma disparidade tão elevada face ao seu principal concorrente [o dólar]. Já temos dumping social e fiscal, não precisamos de dumping da moeda."

Tudo isto, enfim, porque Nicolas Sarkozy era, pelo menos ontem, um acérrimo defensor da indústria francesa, preferindo "mais gente a trabalhar nas fábricas do que nos escritórios".

"Há quem diga que a indústria em França está acabada e que o futuro são os serviços, mas no dia em que fecharem todas as fábricas não haverá emprego também nos serviços. A indústria não só não acabou, como é essencial à economia de um país rico, é o motor do progresso da produtividade e do bem-estar material de uma sociedade. A França terá indústria em 2020, em 2040, em 2060 e sempre", declarou ainda o Presidente gaulês no discurso de La Rochelle.

O PÚBLICO viajou a convite da Alstom

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"O 'monstro' não se controlou. Pelo contrário, parece totalmente descontrolado"
Helena Garrido, "Jornal de Negócios", 20-11-2009
 

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