| Daniel Rocha/PÚBLICO (arquivo) |
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| Armando Vara está envolvido em nova polémica |
Armando Vara, candidato à vice-presidência do Banco Comercial Português (BCP), deseja manter o seu vínculo laboral à Caixa Geral de Depósitos (CGD), caso a lista de Santos Ferreira seja eleita.
E no mesmo dia em que o primeiro-ministro veio garantir no Parlamento que não houve intervenção governamental na mudança da gestão do BCP e da CGD, soube-se que o Partido Socialista apoia a pretensão de Vara, e defende que este tem legitimidade para obter uma licença sem vencimento do grupo estatal.
"O dr. Armando Vara fez o que é usual fazer nestas circunstâncias: pedir à empresa a manutenção do vínculo contratual com a CGD." A declaração foi feita ao PÚBLICO por fonte oficial da CGD, que adiantou que Vara "aguarda pela resposta" da nova gestão. Vara concorre ao BCP, o maior banco privado, na lista de Santos Ferreira, ex-CEO do grupo público.
Citado pelo Jornal de Negócios, o coordenador do PS na comissão de Orçamento e Finanças, Vítor Baptista, defende que Vara possa receber da CGD uma licença sem vencimento, caso seja eleito para a vice-presidência do BCP.
A solução não é ilegal, sendo mesmo realizada recorrentemente por vários quadros superiores de outras grandes instituições. Mas é controversa. Não só por ser anunciada num contexto particular, de polémica à volta da mudança de gestão do BCP, mas porque Armando Vara (assim como Santos Ferreira e Vítor Fernandes) transitam directamente da CGD para uma empresa rival. Santos Ferreira e Fernandes não são quadros da Caixa Geral de Depósitos. Vítor Baptista diz ainda que Vara é alvo de uma "tentativa de assassínio político".
No parlamento, José Sócrates garantiu que o Governo "nunca interferiu, sugeriu ou propôs fosse o que fosse" para a resolver a crise no BCP, banco onde a CGD e a EDP são accionistas. António Mexia, presidente da EDP, foi quem sugeriu aos accionistas o nome de Santos Ferreira.
Para Sócrates, quem tem procurado debilitar os órgãos de supervisão, lançando críticas à sua actuação no BCP, está a fazer "política baixa". O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, tem estado na mira da opinião pública por, alegadamente, ter actuado tardiamente.
Sobre as eleições para a gestão do BCP, acusou o PSD de se envolver na lista de Cadilhe para difamar a de Santos Ferreira. Os social-democratas classificaram a afirmação de "falsa". Cadilhe foi gestor do BCP durante dois anos e saiu desalinhado com Jardim Gonçalves. Avançou para estas eleições depois de Constâncio ter afirmado que todos os gestores entre 1999 e 2007 eram suspeitos de terem cometido ilegalidades, recomendando que não os indicassem para a nova gestão. Cadilhe disse que não gostou da forma como o BdP e o Governo actuaram, o que poderá ter posto em causa, segundo diz, a independência da instituição.