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G7 em versão informal
Os ministros das Finanças e os governadores dos bancos centrais dos Grupo dos Sete (G7) principais países com economias de mercado insdustrializadas posam para uma fotografia durante a reunião deste fim-de-semana no Canadá. Fotografia: Chris Wattie/Reuters.

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Investidores peocupados com as movimentações políticas
Crise no BCP: Santos Ferreira não entusiasma accionistas
23.12.2007 - 09h04
Por Cristina Ferreira 
Rui Gaudêncio/PÚBLICO (arquivo)
No final da reunião, Berardo afirmou que o resultado da reunião foi de fumo branco
A reunião de accionistas do Banco Comercial Português que ontem se realizou abriu caminho a um entendimento em torno de Carlos Santos Ferreira para liderar a instituição financeira, embora o nome do actual presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) não entusiasme parte dos grandes investidores. O grupo volta a reunir-se a 27 de Dezembro para acordar uma lista consensual a divulgar até ao dia seguinte.

“Fumo branco” e “virar a página”. Foram estas as mensagens deixadas pelos accionistas do BCP à saída da reunião que se realizou de urgência, para, em conjunto, encontrarem uma solução de governação que pacifique o maior banco português. Mas nem todos subscrevem o entusiasmo.

A escolha de Santos Ferreira para governar o BCP não agrada a todos os accionistas de referência da instituição, muito menos reúne o apoio de todos. Porém, e embora Santos Ferreira não tenha sido formalmente votado no encontro de ontem, o facto de não ter aparecido uma alternativa abre as portas à sua nomeação. E ninguém contestou António Mexia, quando este avançou com o nome do presidente da CGD. Em todo o caso, para ter o apoio incondicional dos accionistas Santos Ferreira terá de revelar qual vai a sua equipa e qual a estratégia que vai adoptar. Durante a crise do BCP, este gestor movimentou-se para o partilhar entre a CGD, o BES e o Santander. E foi ainda um adversário da fusão do BCP com o BPI, que possui 8,8 por cento do rival.

É neste contexto complexo, onde se misturam várias vontades, que um conjunto de accionistas, como a Eureko, a TD e outros, têm mantido contactos para afinar uma estratégia de actuação conjunta para a escolha do CEO. Este grupo (desconhece-se o que fará o BPI) tenderá a articular-se, não tanto para impedir a constituição de uma lista consensual, mas sim para influenciar (ou chumbar) os nomes dos próximos executivos do BCP. E, ainda, para travar uma eventual tomada de poder no BCP por parte dos partidos, em especial do PS. Neste grupo há quem gostasse de ter condições para equacionar uma proposta alternativa a Santos Ferreira.

O PÚBLICO apurou que os investidores estrangeiros estão preocupados pelo modo como o processo de selecção de um CEO de uma empresa privada, o BCP, está a ser conduzido, em especial pela forte componente política associada e pela forma de actuar do Governo, via CGD e EDP.

Protagonismo excessivo

E há ainda quem, no final da reunião de ontem, tenha, em declarações ao PÚBLICO, manifestado desconforto face ao protagonismo excessivo que a EDP (e o seu presidente, António Mexia) e a CGD estão a ter no desenlace da crise do BCP. Isto, por se tratar de duas instituições com presença estatal (na CGD a 100%), o que é visto como uma forma indirecta de o Governo “tomar” conta do grupo. Se o fizer, o executivo garante “a mão” nos dois maiores bancos nacionais e assegura grande poder de influência na economia, dado que a escolha do CEO da CGD parece ser de inspiração partidária (Santos Ferreira é um ex-dirigente socialista).

Todavia, o aparecimento da solução Santos Ferreira, beneficiando do dedo de José Sócrates, resulta sobretudo da crise profunda que hoje rodeia o BCP e da descredibilização da sua governação. Por outro lado, o modo como Filipe Pinhal se articulou para que a escolha Santos Ferreira avançasse também não agradou aos accionistas. O actual presidente do BCP e Santos Ferreira são amigos chegados e estiveram juntos na quinta-feira à noite, tendo o CEO da CGD recebido luz verde de Pinhal.

Tudo pronto na dia 27

Estiveram presentes na reunião de ontem os representantes da Eureko, do Sabdell e da Sonangol, os presidentes do BPI, Fernando Ulrich, da EDP, António Mexia, da CGD, Carlos Santos Ferreira, e os accionistas Joe Berardo, Pedro Teixeira Duarte, João Rendeiro, Manuel Fino e Bernardo Moniz da Maia. E ainda outros com posições não qualificadas.

O encontro juntou mais de 50 por cento do capital do BCP, envolvendo investidores que têm estado em guerra pelo controlo do grupo. E decorre após a intervenção do Banco de Portugal (BdP), que, na sexta-feira, recomendou a não viabilização de candidaturas dos actuais administradores (em especial Filipe Pinhal e Cristopher de Beck) a um novo mandato. Vítor Constâncio alegou que todos os gestores do banco desde 1999 estão a ser investigados e são potencialmente culpados.

À saída, Berardo, Ulrich e Rendeiro fizeram curtas declarações, tendo alegado que chegou o momento de “voltar a página” no BCP. Berardo disse que havia fumo branco e que o nome do próximo CEO será divulgado na sexta-feira, quando termina o prazo para a apresentação de listas concorrentes aos órgãos sociais. Segundo a Lusa, Rendeiro confirmou o nome de Santos Ferreira para presidir ao BCP. Se aceitar, o que já terá feito, Santos Ferreira terá de deixar a CGD nos próximos dias. Ontem as rádios referiam o ex-ministro das Finanças Campos e Cunha para o substituir no grupo público, hipótese que não se confi rma. Luís Filipe Menezes, líder do PSD, veio sugerir Miguel Cadilhe, ex-ministro de Cavaco Silva, ex-presidente do BFA e ex-administrador do BCP, para o lugar.
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"O Plano de Estabilidade e Crescimento e as autoridades europeias fracassaram quando foram complacentes com o seu não-cumprimento. Não agora, mas durante o 'bom tempo' económico."
Vítor Bento, jornal "Público", 8-2-2010
 

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