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Um ano após o encerramento
Maioria dos antigos trabalhadores da Opel da Azambuja continua desempregado
19.12.2007 - 10h57
Por Lusa
Um ano após o fecho da fábrica da General Motors da Azambuja, mais de metade dos 1100 trabalhadores que ficaram no desemprego a partir de 21 de Dezembro de 2006 continua à procura de trabalho.
O Instituto de Emprego e Formação Profissional informou a agência Lusa que se encontram a receber o subsídio de desemprego 680 desempregados da antiga fábrica da Opel.
Segundo alguns ex-trabalhadores contactados pela Lusa, o desemprego afecta sobretudo os menos qualificados e que estavam afectos à linha de montagem dos automóveis.
Dos que encontraram trabalho, uma minoria conseguiu emprego em Câmaras Municipais, outros tentam abrir um negócio próprio com os apoios do Instituto de Emprego, e outros ainda estarão a trabalhar por conta própria ou em oficinas.
Durante o ano que passou, os antigos funcionários receberam subsídio de desemprego o qual está garantido nalguns casos até Junho próximo, noutros por mais um ou dois anos.
Inscritos no centro de emprego de Vila Franca de Xira apresentam-se nas entrevistas quando surgem propostas de trabalho mas dizem que as condições oferecidas são em geral bastante precárias.
"As condições são muito precárias, querem que se faça muitas horas e pagam mal", disse à agência Lusa Joaquim Carreira, de 40 anos e que trabalhou 16 ao serviço da Opel como administrativo e fiel de armazém.
"A grande maioria continua desempregada. Os que trabalhavam na produção ou no armazém têm muita dificuldade em encontrar trabalho", contou o ex-operário.
"Continuo desempregado apesar de enviar currículos e de fazer formação através do centro de emprego", disse por seu lado Luís Gomes, de 36 anos, antigo soldador por pontos durante 11 anos e cujo subsídio de desemprego termina em Junho.
Também ainda no desemprego mas com pouca esperança de encontrar trabalho depois de 30 anos de fábrica, Alberto Borrego, de 53 anos, afirmou que "as hipóteses são poucas ou nenhumas. Nem ofertas tenho e quando vou à procura dizem-me para ganhar juízo".
O problema, queixa-se, é que enfrenta uma situação em que ainda não se pode reformar.
Com uma sorte diferente, Carlos Rego encontrou trabalho quatro meses após o encerramento da fábrica na Câmara da Azambuja.
Após 16 anos de trabalho na secção de compras e manutenção, Carlos Rego encontrou um emprego semelhante nas oficinas da autarquia.
"Encontrei trabalho, através do centro de emprego, que se coaduna com as minhas habilitações", disse.
Carlos Rego acrescentou que "alguns já encontraram trabalho mas a grande maioria continua à procura. Nesta situação estão os funcionários mais ligados à linha de montagem e que desempenhavam funções específicas e repetitivas, que fora da fábrica não lhes dão grandes qualificações", explicou.
A Câmara de Azambuja dá ainda trabalho a mais dois ex-funcionários da GM: um é chefe de gabinete do presidente da Câmara e outro é mecânico.
A trabalhar na Câmara de Alenquer, Jorge Manuel Almeida, de 41 anos, é assessor de um vereador, um cargo bem diferente do que desempenhou na Opel onde efectuava a contagem do material em armazém e era delegado sindical.
"Na GM estava isolado no armazém aqui trabalha-se em equipa e convive-se mais com a comunidade, desde escolas e com doutores e engenheiros", contou.
"Aceitei o desafio que me foi proposto e suspendi o recebimento do fundo de desemprego (que voltará a ter ainda por um período de 23 meses caso saia da autarquia)", disse Jorge Almeida.
Por seu lado, o antigo porta-voz da comissão de trabalhadores da Opel, Paulo Vicente, disse à Lusa que já entregou um projecto para abrir um negócio na área da informática mas ainda continua à espera de aprovação.
Durante este ano aproveitou ainda para se inscrever no programa Novas Oportunidades tendo obtido o 9º ano de escolaridade.
"A maioria ainda não encontrou trabalho. Sei que vão fazendo cursos pelo centro de emprego, outros que eram bate-chapa ou pintores têm alguma facilidade mas esses serão umas três dezenas", disse Paulo Vicente.
O desemprego provocado pelo encerramento da fábrica da Opel afectou famílias de dez concelhos, incluindo o Cartaxo, Vila Franca de Xira, Alenquer, Santarém e Salvaterra, segundo dados da Câmara Municipal de Azambuja.
De acordo com informação da autarquia de Azambuja divulgada à Lusa, dos cerca de 1000 postos de trabalho directos da fábrica automóvel, 233 residem naquele concelho, 213 provêm do concelho do Cartaxo, 142 de Vila Franca de Xira, 109 de Alenquer, 94 de Santarém e setenta e oito de Salvaterra de Magos.
A fábrica empregava também 30 pessoas do concelho de Almeirim, 29 do Cadaval, 18 de Benavente e 11 de Coruche, segundo os dados recolhidos em Abril de 2006.
A estes cerca de 1000 trabalhadores juntam-se mais 600 de empresas que prestavam serviços à Opel em regime de outsourcing, como serviços de refeitório e limpeza e os trabalhadores de empresas subsidiárias, como as de logística.
Assim, só na Azambuja terão ficado sem trabalho cerca de 400 pessoas, disse à Lusa o presidente da autarquia, Joaquim Ramos (PS).
Apesar do elevado número de desempregados não foi criado na Azambuja qualquer gabinete de apoio específico para apoiar estas pessoas.
A General Motors justificou na altura o encerramento com os elevados custos logísticos e segundo adiantou à Lusa fonte da empresa a desmontagem da fábrica está praticamente completa.
Em Junho deste ano a General Motors Portugal e a Turiprojecto Investimentos Imobiliários assinaram o contrato de compra e venda dos terrenos e das instalações da antiga GM em Azambuja, onde será contruído um parque eco-industrial que dará emprego a 1.380 pessoas.
A empresa prevê a construção do parque eco-industrial num prazo de quatro anos e meio.
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